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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

A firmeza da fé contra os ventos de doutrina


É inegável que muita gente, ao invés de buscar primeiramente a Cristo, procura na igreja uma alternativa para satisfazer seus interesses pessoais. O número de evangélicos tem crescido no Brasil, porém muitos têm buscado mais as bênçãos do Senhor do que o Senhor das Bênçãos. Ora, aquele que está na igreja à procura de benefícios para si, mas sem se ater às Escrituras e à prática da piedade, assemelha-se ao homem insensato que ouve as palavras de Jesus e, não colocando-as em prática, edifica sua casa sobre a areia. Pessoas com esse perfil, quando conseguem o que almejavam, tendem a procurar por coisas novas, e assim acabam sendo levadas por modismos ou pelas coisas do mundo, afinal não estão fundamentadas na Rocha.

Com efeito, se não temos habilidade com as Escrituras e falta-nos a firmeza da fé, não teremos segurança para falar de Jesus ou dar testemunho da Sua Palavra. Além disso, se não estivermos firmados no conhecimento sobre Deus e Sua obra redentora, poderemos ser facilmente arrastados por práticas e teorias que surgem e ressurgem o tempo todo. No entanto, quando conhecemos a verdade e praticamos o que dizem as Escrituras, não nos deixamos abalar com falsos ensinos e não somos arrastados por ventos de doutrina, pois temos já a base sólida na qual podemos comparar aquilo que lemos e ouvimos com os ensinamentos que temos aprendido e assim concluir se aquela mensagem merece crédito ou não.

A Bíblia contém vida, transformação, renovo… mas ela por si só não é um objeto milagroso, sobrenatural; de forma que o seu poder não está no papel que a compõe, mas na Palavra de Deus ali presente, a qual precisa ser digerida e exercitada. Assim, quanto mais nos aprofundamos no conhecimento da Palavra e no exercício da piedade, mais nos aproximamos de Deus e da perfeita varonilidade. É desta forma que nos firmamos na fé e, em Cristo, resistimos às tentações e às dificuldades.

Baseado no sermão do pastor Leandro Carvalho, quarta-feira, 15 de janeiro de 2020, na Igreja Batista Fundamentalista. Referências bíblicas: Mt 6:33, Mt 7:24-27, Ef 4:11-16.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

A musculação e o exercício da fé cristã


Percebendo minha queda de rendimento na academia, em relação às cargas e repetições que antes eu fazia e que agora consigo fazer após quase um mês parado, me ocorreu que coisa semelhante pode acontecer na nossa vida cristã. Pois a fé é o nosso alimento, mas a oração e a prática do bem são nossos exercícios; desta forma, por mais forte espiritualmente que você possa se imaginar, jamais deve negligenciar a prática desses exercícios espirituais, pois assim como ocorre na atividade física, em pouco tempo você também acaba enfraquecendo.

Quando começamos a fazer musculação, é comum nos observarmos no espelho e nos admirarmos com pequenas mudanças que ocorrem no nosso corpo — quem nada tem, se espanta logo com o pouco que consegue — o problema consiste quando isso vira um hábito, e aí, qualquer tempo que passamos nos lambendo ou observando detalhes que até então não tinham importância, tal como quem passa um tempão editando uma foto para o Instagram, já é tempo demais jogado fora. Na vida cristã, é comum que o novo convertido se empolgue consigo mesmo e, em pouco tempo, já se ache capaz de pregar a palavra, exortar os irmãos e abrir o Mar Vermelho. É claro que isso tem a ver com a chama do Espírito Santo em sua vida, mas, em parte, acontece também porque o brasileiro, de forma geral, tem uma tendência, quase que uma necessidade, de falar sobre aquilo que deveras desconhece, além disso, vivemos num vácuo moral tão grande que, ao menor sinal de virtude, o cidadão já se acha um baluarte dos valores, capaz de ditar regras e conselhos que fariam inveja a um monge budista.

Mas, enfim, passado algum tempo na academia, o suficiente para não ser mais considerado principiante, o aspirante a Mister Olympia acaba percebendo que a escalada em busca do corpo perfeito não é uma subida constante e em linha reta, mas formada de longos patamares e pequenos aclives que se assemelham a uma escada de degraus extremamente largos e incrivelmente baixos, de forma que o praticante já começa a se questionar se vale a pena caminhar tanto para subir tão pouco. Na igreja, o aprendiz de apóstolo logo percebe que não basta apenas falar do amor de Deus que 3 mil almas se converterão naquele dia, que colado ao seu discurso deve estar o seu exemplo de vida, que suas atitudes falam muito mais do que suas palavras e que isso exige o exercício da piedade. Ou seja, ambos se deparam com o desafio da perseverança.

Por essa razão, há muitos que, impacientes com os poucos resultados obtidos a duras penas, optam pelo atalho dos anabolizantes; os fins justificam os meios, lembra? E se a finalidade do cidadão é ficar bombado, então viva a alegria do agora. De forma semelhante, tem crente que, incomodado com tantas “exigências”, acaba por procurar uma alternativa mais light, um evangelho mais cômodo, uma igreja de gente feliz que não repara na vida alheia... Mas se há algo constante nesta vida, é a insatisfação humana; e alguém que traiu seus princípios à procura da felicidade imediata, facilmente cederá a outras tentações nessa busca incessante cujo caminho é sempre ladeira abaixo.

A musculação, como sabemos, exige paciência e perseverança; deve ser praticada todos os dias e os resultados aparecem a longo prazo. Contudo, por mais tempo que tenhamos na prática desse esporte, se nos tornamos negligentes, perdemos facilmente aquilo que conquistamos com tanto sacrifício, e embora a imagem no espelho às vezes indique que as coisas ainda estão bem, basta tentar fazer 20 flexões de braço para constatar o retrocesso. Orar e fazer o bem são atitudes que demandam também esforço e persistência, mas para quem não tem (ou perdeu) esse hábito, orar por 2 minutos ou passar meia hora visitando doentes num hospital torna-se algo tão penoso quanto fazer 30 segundos de prancha fixa.

É fato que estamos vivendo cada vez mais, e que, com a idade, vamos perdendo massa muscular e óssea, e é exatamente por isso que precisamos nos manter fisicamente ativos. Se após os 70 anos, a vida é só canseira e enfado, muito mais será se não tivermos músculos para dar sustentação a ossos e articulações. Para isso, a musculação é um dos melhores exercícios, mas a menos que queiramos virar atletas profissionais, nossa finalidade deve ser menos com a aparência física do que com a saúde, tal como o crescimento espiritual não deve ser para o nosso engrandecimento pessoal, mas para que assim resplandeça a luz de Cristo através de nós, para que Ele cresça e a gente diminua.