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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

O BBB do meu ódio


Não importa a cor da pele, o gênero ou a condição social, o Big Brother Brasil tem mostrado que o ódio está em todos e pode sim ser direcionado a todos, ou a todes — TODES — sem distinção. E se você desenvolveu algum sentimento de rancor em relação a um ou mais participantes do BBB, seja de desprezo, ojeriza, ou mesmo frustração, então você caiu na rede. Como? Considere que alguns que estão ali são psico-piii escolhidos a dedo justamente para manipularem não apenas os de dentro da casa, provocando discórdia e mal estar entre eles, mas principalmente os de fora, os telespectadores.

Por motivos óbvios, não citarei nomes, mas tenho visto muitas postagens nas redes sociais expressando ódio dirigido contra várias pessoas do programa: dos participantes ao produtor, passando pela própria emissora e até contra anunciantes. O ódio é o combustível do BBB; ele divide, mas também atrai, provoca, instiga, vicia, e o que é melhor: vende. Pensou que a serpente estava morta, né, minha filha? 

Mas não é só o ódio que está na moda, a idolatria também tem aflorado nas pessoas, e o ídolo definitivamente não precisa (nem deve) ser um santo, basta ser uma celebridade nacional que expresse o mesmo ódio em comum; mas isto já é outro assunto. 

O fato é que não é de hoje que as massas são instigadas ao ódio coletivo, basta lembrar que Jesus foi crucificado não porque o povo amava Barrabás, mas porque foram tomados pela histeria contra aquele que ousou se apresentar como o Messias — o vencedor de uma eleição nem sempre é o mais amável e carismático; às vezes é o que consegue direcionar mais ódio contra o seu adversário. Consegue lembrar de alguém? 

Seja como for, o resultado desse pleito televisivo tende a ser algo profundamente danoso para a nossa sociedade, que, bem ou mal, tem na sua diversidade racial harmônica um de seus maiores valores; é este valor que está sob ataque, não esse ou aquele participante. O Big Brother não é sobre ganhar 1,5 milhão; é sobre ganhar você. 


domingo, 7 de fevereiro de 2021

O primeiro beijo gay do BBB foi legítimo ou apenas uma estratégia de jogo?


Não acompanho o BBB, mas pelas postagens que me apareceram no Twitter, o primeiro beijo entre homens da história do programa não foi muito bem aceito e acabou dividindo opiniões entre os lacradores. O problema é que, por ter falado umas idiotices, um dos beijantes estava bastante queimado (cancelado) na casa, e, pelo fato de não ter entrado lá como homossexual assumido, sendo apenas um "macho escroto" que não milita pela causa LGBT, o brother aparentemente não teria 'lugar de beijo' entre os gays e por isso estaria sendo duramente criticado. Mas por que ele faria isso? Supostamente, por ter perdido o apoio dos manos e ficado sem lugar de fala entre os militantes da causa racial.

Resumindo: segundo a turma do lacre, o rapaz estaria agora tentando se passar por bissexual para tentar se proteger sob o manto sagrado do arco-íris, o que é uma heresia. O fato é que o cara parece que não aguentou a pressão de mais um grupo identitário e acabou pedindo para sair da casa.

Seja como for, não foi a primeira vez que um guilhotinador acabou sendo guilhotinado.

domingo, 13 de novembro de 2016

Black Mirror: Considerações sobre o episódio "Toda a sua vida"

O último episódio da 1ª temporada de Black Mirror, intitulado "Toda a sua vida", pode servir de base para muitas teorias sobre as atitudes comportamentais que as pessoas têm adotado depois do boom das redes sociais, quando elas passaram a fazer cada vez mais parte do cotidiano das pessoas.

Podemos perceber como as pessoas cada vez mais estão criando e assumindo uma vida virtual paralela que reflete aquilo que lhe ocorre no mundo real, e como, muitas vezes, deixam de viver no "ao vivo" suas próprias vidas para reviverem suas lembranças gravadas ou interagirem com as vidas virtuais de outras pessoas, amigos, familiares, assuntos do momento, etc. O mundo virtual é dinâmico e nosso cérebro não consegue assimilar tudo tão rápido, por isso as pessoas se sentem cada vez mais sem tempo para suas tarefas diárias. A vida online demanda um certo tempo.

A facilidade com que registramos os acontecimentos do nosso dia por meio dos smartphones e como compartilhamos esse momentos nas redes sociais, cria também a possibilidade de que terceiros possam acessar essas memórias gravadas; isso tem um impacto diretamente na vida dos casais, pois certas lembranças, uma vez mantidas, poderiam um dia serem usadas por um dos cônjuges contra a própria pessoa.

É pensando como a tecnologia e as normas sociais afetam as pessoas e os relacionamentos que começamos nossa série de tweets sobre o assunto, inicialmente, tratando a questão do ato sexual.





A cena de traição mostrada no episódio não foi por acaso; ela reflete como os avanços tecnológicos estão pondo em xeque as relações baseadas em acordos monogâmicos de fidelidade.






Por fim, uma rápida reflexão sobre o que os casais poderiam fazer para viverem plenamente uma relação considerando essas mudanças tecnológicas e sociais.




Agora, um questionamento: vale a pena viver sem registrar os nossos melhores momentos?