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quinta-feira, 4 de junho de 2020

Das trevas para a luz


"Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.” (1Jo 2:1).

Deus é amor e perdoa todos aqueles que se arrependem dos seus pecados, mesmo aqueles aparentemente imperdoáveis aos olhos dos homens e condenados pela sociedade; não há pecado que não possa ser perdoado por Deus, por intermédio de Jesus Cristo, pois nenhum pecado está acima da grandeza do Seu amor e misericórdia.

O fato é que, sem Deus, somos guiados apenas pelos nossos instintos e levados pela cultura deste mundo — o qual jaz no maligno —, mas depois que conhecemos a Cristo, tudo se faz novo. Todavia, “aquele que diz ‘eu o conheço’, e não guarda os Seus mandamentos, é mentiroso”; afinal, se andarmos nas trevas, como poderemos dizer que somos da luz? Quem, de fato, conhece a Jesus, tem sua vida transformada pelo amor.

No entanto, alguém poderia dizer que somos todos iguais e a ninguém podemos julgar, até porque o joio é muito parecido com o trigo, mas tem algo que o joio é incapaz de fazer: amar. Por isso mesmo, é impossível servir a Jesus sem o amor.

Ou seja, graças à obra redentora de Cristo, podemos sempre contar com o perdão do Pai, e graças à ação do Espírito Santo, podemos rejeitar os nossos impulsos, mudar de direção e caminhar na luz. Aquele, porém, que diz estar na luz, e odeia a seu irmão, permanece nas trevas. Assim, aquele que está em Cristo deve procurar andar como Ele andou, viver como Ele viveu e amar como Ele amou. Servir a Cristo é, acima de tudo, vivenciar o amor; é se importar com os pequenos, é demonstrar misericórdia, é exercitar o perdão, a empatia, a compaixão, etc. 

Baseado na mensagem do Pr. Leandro Carvalho, quarta-feira, 29 de abril de 2020, culto de oração transmitido pela Igreja Batista Fundamentalista. Texto base: 1 João 1:5-10; 2:1-11.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

O amor é o preceito maior


“Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação.” Romanos 15:1,2.

Dado o contexto em que viviam os irmãos da igreja romana, o apóstolo Paulo, a partir do capítulo 14, demonstra certa preocupação acerca do consenso entre eles; uma igreja na qual povos de diferentes tradições coabitavam sob uma nova fé: os gregos, com sua cultura mais liberal; os judeus que, convertidos, entendiam não estar mais sob o jugo da Lei, e, entre eles, alguns que não haviam se desvencilhado de certos costumes e ainda seguiam as tradições judaicas.

Paulo nos mostra que há situações em que é preciso ensinar as pessoas sem primeiro julgar. O apóstolo apontava as contradições entre os irmãos para alertá-los que, apesar de pensarem diferente sobre questões pontuais, Deus era tanto de um, quanto de outro; do que comia carne e do que comia legumes; do que guardava o sábado e do que não guardava. Com relação às Escrituras, devemos concordar que fomos criados por Deus, que só Cristo salva, que o Verbo se fez carne, que morreu pela remissão dos nossos pecados, que ressuscitou dos mortos, que retornará em glória e julgará todos os homens; esta é a doutrina básica para a construção dos fundamentos teológicos cristãos; tudo o mais é acessório.

Sabemos que, em paralelo às doutrinas bíblicas, algumas igrejas estabelecem regras e doutrinas próprias a fim de instituir um modelo comportamental que as distinguem das outras e do mundo; outras normatizam-se de forma menos ortodoxa a partir de padrões subjetivos aos quais as pessoas aos poucos vão assimilando e voluntariamente se condicionando. O fato é que, ao olhar para a igreja, o mundo tem uma expectativa formada em cima desses padrões. Nesse contexto, suportar os fracos é você, com paciência e sem fazer julgamentos, orientar essas pessoas cuidando para não fazê-las tropeçar. Assim, se sua fé é forte e não se abala com hábitos que lhe são próprios, como usar piercing, vestir roupa curta ou pintar o cabelo de verde, ótimo, mas se isso escandaliza o seu irmão e a ele serve de tropeço, cabe a você, em amor, evitar; para que “aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência” (Rm 14:16).

Como podemos ver, a liberdade individual deve ser ferida quando a lei do amor estiver acima dela, ou seja, a edificação do outro deve ser mais importante do que nossa própria vontade. "Há uma vontade maior que a sua vontade; a vontade de Deus". O amor deve ser o ápice da nossa marca de fé, o nosso padrão de medida, de modo que os nossos preceitos pessoais estejam sempre abaixo do amor — o que passar disso é religiosidade e exigência social. “Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua.” (Rm 14:19). Em outras palavras, se algo em você desagrada o seu irmão, evite; se algo no seu irmão o desagrada, procure ensiná-lo primeiro, com paciência, em amor.

Contudo, é preciso ter em mente que o grau de fraqueza não é determinado pelo tempo que o crente tem na igreja ou pelos versículos que ele tem decorado, mas pelo conteúdo que ele tem assimilado e aplicado à sua vida. A Bíblia é um livro de fé e prática, mas se for apenas lido, trará tão somente conhecimento histórico e conceitos filosóficos, mas digerida e meditada, produzirá vida.

“Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova.” (Rm 14:22).

Extraído do sermão do Pr. Leandro Carvalho, quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020, na Igreja Batista Fundamentalista. Texto base: Romanos 14 e 15.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Cuidado com a ira


Deus, sendo Deus, é um Deus que se ira; mas e quanto nós, podemos nos irar? Vejamos, se o próprio Deus se ira, então a ira, por si só, não é uma emoção má; contudo, por sua complexidade, exige uma inteligência emocional da qual a grande maioria das pessoas está a anos-luz de alcançar, especialmente os mais inexperientes. Além disso, temos menos o direito de nos irarmos do que o dever de expressar os frutos do espírito. Isso significa que além de cultivarmos o amor, a bondade, longanimidade, mansidão, domínio próprio, etc., ainda precisamos examinar a fundo as nossas intenções para que essa ira não seja motivada por sentimentos de egoísmo, interesse ou extravagância.

Então, a resposta é sim, podemos nos irar, mas “irai-vos e não pequeis” (Ef 4:26). A ira que nos convém é aquela que ocorre à semelhança da ira de Deus — tardia, momentânea, justa, em amor — ou seja, o problema não está na ira em si, mas na motivação, no propósito, na duração, nas consequências, etc. A ira nos é permitida, mas por ser um sentimento difícil de se lidar, deve ser evitada tanto quanto possível, mas caso ocorra, deve estar focada naquilo que é justo e honrado, levantando-se contra injustiças e opressões, em defesa de pessoas e não contra elas. Desta forma, poderemos nos encontrar irados, mas não violentos; indignados, mas de forma alguma cruéis; confrontadores, mas nem por isso destruidores. 

Como podemos ver, a ira é algo que demanda maturidade, sabedoria, discernimento, autocontrole... e, pensando bem, é complicado. Talvez seja mais fácil oferecer a outra face ao inimigo do que lidar com a ira de maneira correta. Jesus foi vítima de pessoas iradas que, de tanto ódio, desejavam matá-lo. Ele sabia o intento dos seus corações, mas o que Jesus fez contra aquelas pessoas? Tão somente confrontou-os com a verdade e, ao invés de revidar na mesma moeda, demonstrou como pagar o mal com o bem. Na dúvida, Romanos 12:17-21 tem a resposta: não retribua o mal com o mal; faça o que é verdadeiramente correto; procure viver em paz com todos; não busque vingança; deixe a ira com Deus; e se o seu inimigo estiver faminto, alimente-o; se tiver sede, dê-lhe de beber. “Fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a cabeça dele, e o Senhor te recompensará”. Em resumo: Não se deixe vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem.