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domingo, 29 de março de 2020

Doutrina da Salvação - Parte I


Qual o seu entendimento acerca da salvação? Na Teologia, o tema é conhecido como soteriologia ou estudo da salvação, mas o que sabemos acerca dessa doutrina? Imprescindível na vida do crente, a doutrina da salvação é o tema central de toda a revelação que Deus nos fez conhecer — pois todo o propósito do Criador está em resgatar e salvar a humanidade. Devemos conhecer e crer na doutrina da salvação, pois ela é a base para compreendermos outras doutrinas e assim crescermos espiritualmente. Para tanto, destacamos três resultados da salvação. 

1. A habitação do Espírito Santo (João 14:17). Quando se fala em novo nascimento, significa dizer que passamos a ser habitados pelo Espírito Santo de Deus; este é o selo, a garantia que nos traz a certeza de que somos salvos. Diferente do que alguns acreditam, a prova da presença do Espírito Santo na vida do crente não se dá por meio de gritarias e movimentos frenéticos; não é a emoção, o êxtase ou o falar em línguas estranhas que evidenciam que você está com o Espírito Santo, mas se você foi a Cristo com fé e arrependimento; a partir da conversão, a obra de Deus começa a acontecer na sua vida, ou seja, iniciado o processo de regeneração, você passa então a viver com Deus e a sentir o Espírito Santo diariamente; este é o processo que traz ao homem a redenção e o conduz à santificação.

2. Mentes renovadas (1Co 2:16). Como novas criaturas, nascemos espiritualmente e temos em nós a renovação em Cristo. A salvação leva-nos a pensar espiritualmente e isto se dá em função daquilo que Deus fez e tem nos proporcionado. Contudo, muitas vezes nos distraímos com coisas vãs e nossos pensamentos vagueiam para longe da mente de Cristo. Ora, se não ocupamos nossa mente com aquilo que é puro, verdadeiro, louvável, etc., no lugar da mente de Cristo, estaremos com as coisas do mundo na cabeça. Todavia, somos exortados a buscar as coisas do alto, e através do Espírito Santo de Deus, temos esta oportunidade; assim, a mente de Cristo terá ação em nossas vidas quando Cristo, em nós, estiver entronizado.

3. Vitória sobre o pecado (1Jo 5:4). Só o crente pode vencer o pecado, e por quê? Porque só ele tem o Espírito Santo habitando em si. Para isso Cristo veio, para nos dar vitória sobre o pecado (Rm 6:14); é por isso que o crente precisa odiar o pecado e ser vigilante contra as astúcias do inimigo. Nossa dificuldade nesse assunto é que nem sempre estamos sob o comando do Espírito Santo. Em Cristo, podemos ser vitoriosos, mas se escolhemos o pecado, optamos por um ato de rebeldia contra Deus — o pecado pode muitas vezes parecer bom e belo, algo até que não incomoda, mas as consequências são desastrosas e os danos são muitos. 

Que possamos, pois, nos sentir habitados pelo Espírito Santo de Deus, zelando pelo nosso corpo — templo e morada — buscando sempre a Sua plenitude; plenitude esta que é demonstrada na coragem para falar de Cristo, na rejeição do pecado e na vida de santidade com Deus. Então, que nossas mentes sejam renovadas segundo a mente de Cristo, que nossos pensamentos e atitudes sejam diferentes do que o mundo dita e que nossa vitória seja encarada como prova daqueles que são nascidos do Espírito, que depositam sua fé em Jesus e encontram Nele a certeza de que são filhos de Deus.


Extraído do sermão do Pr. Antônio Tadeu, domingo 1 de março de 2020. Algumas referências: 1Co 3:16, Rm 8:9, Rm 12:2, Mt 15:8, Ef 2:1, 1Jo 4:4.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

O amor é o preceito maior


“Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação.” Romanos 15:1,2.

Dado o contexto em que viviam os irmãos da igreja romana, o apóstolo Paulo, a partir do capítulo 14, demonstra certa preocupação acerca do consenso entre eles; uma igreja na qual povos de diferentes tradições coabitavam sob uma nova fé: os gregos, com sua cultura mais liberal; os judeus que, convertidos, entendiam não estar mais sob o jugo da Lei, e, entre eles, alguns que não haviam se desvencilhado de certos costumes e ainda seguiam as tradições judaicas.

Paulo nos mostra que há situações em que é preciso ensinar as pessoas sem primeiro julgar. O apóstolo apontava as contradições entre os irmãos para alertá-los que, apesar de pensarem diferente sobre questões pontuais, Deus era tanto de um, quanto de outro; do que comia carne e do que comia legumes; do que guardava o sábado e do que não guardava. Com relação às Escrituras, devemos concordar que fomos criados por Deus, que só Cristo salva, que o Verbo se fez carne, que morreu pela remissão dos nossos pecados, que ressuscitou dos mortos, que retornará em glória e julgará todos os homens; esta é a doutrina básica para a construção dos fundamentos teológicos cristãos; tudo o mais é acessório.

Sabemos que, em paralelo às doutrinas bíblicas, algumas igrejas estabelecem regras e doutrinas próprias a fim de instituir um modelo comportamental que as distinguem das outras e do mundo; outras normatizam-se de forma menos ortodoxa a partir de padrões subjetivos aos quais as pessoas aos poucos vão assimilando e voluntariamente se condicionando. O fato é que, ao olhar para a igreja, o mundo tem uma expectativa formada em cima desses padrões. Nesse contexto, suportar os fracos é você, com paciência e sem fazer julgamentos, orientar essas pessoas cuidando para não fazê-las tropeçar. Assim, se sua fé é forte e não se abala com hábitos que lhe são próprios, como usar piercing, vestir roupa curta ou pintar o cabelo de verde, ótimo, mas se isso escandaliza o seu irmão e a ele serve de tropeço, cabe a você, em amor, evitar; para que “aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência” (Rm 14:16).

Como podemos ver, a liberdade individual deve ser ferida quando a lei do amor estiver acima dela, ou seja, a edificação do outro deve ser mais importante do que nossa própria vontade. "Há uma vontade maior que a sua vontade; a vontade de Deus". O amor deve ser o ápice da nossa marca de fé, o nosso padrão de medida, de modo que os nossos preceitos pessoais estejam sempre abaixo do amor — o que passar disso é religiosidade e exigência social. “Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua.” (Rm 14:19). Em outras palavras, se algo em você desagrada o seu irmão, evite; se algo no seu irmão o desagrada, procure ensiná-lo primeiro, com paciência, em amor.

Contudo, é preciso ter em mente que o grau de fraqueza não é determinado pelo tempo que o crente tem na igreja ou pelos versículos que ele tem decorado, mas pelo conteúdo que ele tem assimilado e aplicado à sua vida. A Bíblia é um livro de fé e prática, mas se for apenas lido, trará tão somente conhecimento histórico e conceitos filosóficos, mas digerida e meditada, produzirá vida.

“Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova.” (Rm 14:22).

Extraído do sermão do Pr. Leandro Carvalho, quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020, na Igreja Batista Fundamentalista. Texto base: Romanos 14 e 15.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

A firmeza da fé contra os ventos de doutrina


É inegável que muita gente, ao invés de buscar primeiramente a Cristo, procura na igreja uma alternativa para satisfazer seus interesses pessoais. O número de evangélicos tem crescido no Brasil, porém muitos têm buscado mais as bênçãos do Senhor do que o Senhor das Bênçãos. Ora, aquele que está na igreja à procura de benefícios para si, mas sem se ater às Escrituras e à prática da piedade, assemelha-se ao homem insensato que ouve as palavras de Jesus e, não colocando-as em prática, edifica sua casa sobre a areia. Pessoas com esse perfil, quando conseguem o que almejavam, tendem a procurar por coisas novas, e assim acabam sendo levadas por modismos ou pelas coisas do mundo, afinal não estão fundamentadas na Rocha.

Com efeito, se não temos habilidade com as Escrituras e falta-nos a firmeza da fé, não teremos segurança para falar de Jesus ou dar testemunho da Sua Palavra. Além disso, se não estivermos firmados no conhecimento sobre Deus e Sua obra redentora, poderemos ser facilmente arrastados por práticas e teorias que surgem e ressurgem o tempo todo. No entanto, quando conhecemos a verdade e praticamos o que dizem as Escrituras, não nos deixamos abalar com falsos ensinos e não somos arrastados por ventos de doutrina, pois temos já a base sólida na qual podemos comparar aquilo que lemos e ouvimos com os ensinamentos que temos aprendido e assim concluir se aquela mensagem merece crédito ou não.

A Bíblia contém vida, transformação, renovo… mas ela por si só não é um objeto milagroso, sobrenatural; de forma que o seu poder não está no papel que a compõe, mas na Palavra de Deus ali presente, a qual precisa ser digerida e exercitada. Assim, quanto mais nos aprofundamos no conhecimento da Palavra e no exercício da piedade, mais nos aproximamos de Deus e da perfeita varonilidade. É desta forma que nos firmamos na fé e, em Cristo, resistimos às tentações e às dificuldades.

Baseado no sermão do pastor Leandro Carvalho, quarta-feira, 15 de janeiro de 2020, na Igreja Batista Fundamentalista. Referências bíblicas: Mt 6:33, Mt 7:24-27, Ef 4:11-16.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

O Desafio da Perseverança - Parte II: Doutrina e Obstáculos


Como já sabemos, finalizar as coisas é melhor do que começá-las (Ec 7:8); e o verdadeiro desafio está menos na elaboração de um projeto do que na perseverança em executar determinada obra. A perseverança é fundamental na vida do crente, e a Bíblia nos orienta como e onde devemos perseverar. Já vimos dois aspectos: a perseverança na oração e no fazer o bem. Vejamos mais dois:

Perseverança na doutrina 
Os crentes que se esforçam na piedade e perseveram na doutrina serão recompensados, com justiça, no seu devido tempo; aqueles que buscam a vida com Deus e andam conforme a Sua Palavra sabe bem no que têm crido e em quem têm crido. No entanto, a realidade tem nos mostrado um número cada vez maior de pessoas que muito ouvem e pouco aprendem, que não demonstram convicção acerca da fé e que pensam que ser crente é passear pelas igrejas sem se ater à Palavra e sem se fixar na doutrina. Pessoas que procuram apenas mensagens de encorajamento e conforto emocional, ou que saem em busca de promessas de prosperidade e de vitórias, ao se depararem com mensagens mais duras, que contrariam os seus interesses particulares, o que fazem? Abstraem, “partem pra outra” ou simplesmente abandonam de vez (desigrejados). Igreja nenhuma salva, mas a Palavra é viva e fiel, ela é quem nos ensina e nos alimenta para vivermos e perseverarmos na vida cristã. 

Perseverança diante dos obstáculos
Lutas e aflições podem surgir de várias formas: enfermidades, privações, conflitos familiares, dificuldades financeiras, perseguições... a lista é interminável. Contudo, perseverar é a chave para enfrentar esses desafios. Ora, a perseverança, por si só, já pressupõe o enfrentamento de crises e obstáculos, afinal as tribulações produzem a perseverança, ou seja, elas vêm primeiro (Rm 5:3). É por isso que precisamos manter os olhos fitos em Jesus, arregaçar as mangas e ter coragem para perseverar e não retroceder. Todos os dias surgem empecilhos e dificuldades que tentam nos paralisar e nos fazer desacreditar daquilo que Deus pode fazer por nós, mas quem nos separará do amor de Cristo? Ele tem Seus métodos para trabalhar e fala conosco de várias maneiras. Só precisamos manter a fé e confiar na Sua providência.

Que possamos então andar conforme a orientação bíblica, perseverando na oração, no fazer o bem, na sã doutrina e na superação dos obstáculos. Não é por estarmos em Deus que estaremos livres das tribulações e das tentações que nos cercam — “no mundo tereis aflições” — cabe a nós perseverarmos no Senhor e nos mantermos firmes e fiéis, para a honra e glória do Seu nome. 

Extraído do sermão do pastor Antônio Tadeu, domingo, 12 de janeiro de 2020, na Igreja Batista Fundamentalista. Algumas referências bíblicas: Doutrina: Atos 2:42, 1Tm 4:16, 2Tm 3:14-17, 1Tm 4:1,2. Obstáculos: Hb 10:35,36, Rm 8:35-39, Jo 16:33, Lc 9:62