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sexta-feira, 9 de abril de 2021

Fechamento das igrejas: Ativismo judicial e visão narrativa das coisas

Pipipi-popopó, ministro pelego, pastores neopentecostais, gado evangélico...

Para início de conversa, vejamos o que diz a Constituição Federal em seu Art. 5º, inciso VI: "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias".

Dito isto, é preciso deixar claro que o voto do ministro Nunes Marques não foi simplesmente para liberar os cultos, mas no sentido de impedir que governadores e prefeitos possam, de forma arbitrária, interromper as atividades presenciais de algo que, segundo o texto constitucional, deveria ter o livre exercício garantido.

Além disso, a reabertura dos templos não seria de qualquer maneira; em seu voto, o ministro estabeleceu uma série de restrições, inclusive limitando a 25% da capacidade, ou seja, numa igreja com 80 assentos, apenas 20 poderiam ser ocupados, e isso seguindo todos os critérios de distanciamento, máscaras, aferição de temperatura, etc. Mas como podemos ver, a estratégia do militante é sempre politizar e repassar a informação da forma mais mastigada e deturpada possível.

Todavia, como é possível supor que Bolsonaro estaria determinando algo no Supremo se foram os governadores que provocaram o debate? Ora, se existem decretos que estariam ferindo a Constituição, estes não deveriam ser discutidos no STF? Se não, para que serviria a suprema corte?

E finalmente, como esse episódio alimentaria a narrativa da cristofobia se a matéria não era limitada aos templos cristãos? É incrível a capacidade inventiva desse pessoal; enxergam a presença de Bolsonaro no voto do ministro indicado por ele, mas ignoram o fato de que o tribunal que há duas semanas liberou Lula é o mesmo que agora manda o Senado abrir CPI para investigar o governo, inclusive com ministro dizendo em entrevista que tem que tocar o impeachment do presidente. É um show de bizarrices.



quarta-feira, 31 de março de 2021

Desigrejados

A verdade é que muitos que adotam a teoria dos desigrejados são pessoas frustradas, ressentidas e que não querem estar debaixo de autoridade. Algumas dessas pessoas foram instruídas de forma errada e, por causa de experiências desagradáveis em determinadas denominações, acabaram abandonando a ideia de igreja como um todo, e isso é um erro.

Sabemos sim que há problemas nas igrejas, afinal, igrejas são pessoas, e pessoas juntas geram conflitos e problemas. Jesus andou com apenas doze e teve problemas com um; e à medida que a igreja primitiva foi crescendo, problemas também foram surgindo, inclusive entre os próprios apóstolos.

Então, é preciso saber separar as coisas e não abandonar a congregação, como é costume de alguns (Hb 10:25). Como podemos ver, há uma ordem expressa para congregarmos; então, se você é crente, obedeça. Caso contrário, "por que me chamais Senhor se não fazeis o que vos digo?" (Lc 6:46).


segunda-feira, 15 de março de 2021

Cristofascismo? Era só o que faltava


O texto acima já tem alguns meses, mas foi postado recentemente em um grupo de WhatsApp que participo. Deixando de lado os absurdos usados na matéria, como a alegação de que o cristianismo legitimou a escravidão, vamos aos pontos que eu rebati.

1º. Guardadas as devidas proporções, usar as igrejas neopentecostais para atacar os evangélicos é como usar os hooligans para atacar os fãs de futebol. As igrejas tradicionais e pentecostais rejeitam os líderes neopentecostais e os consideram falsos mestres divulgadores de heresias.

2º. Não é à toa que existam ligações entre alguns desses líderes charlatães, políticos e traficantes; muitos são psicopatas que encontraram nas seitas protestantes um ambiente ideal para manipulação, enriquecimento e poder.

3º. Sobre a alegação de que a intenção do tal cristofascismo é "inserir o indivíduo no mercado de trabalho de forma submissa, sem consciência de classe para que possa lutar por seus direitos, e temente a Deus", temos algumas considerações:

1. Ninguém é obrigado a ter sua mente lavada por essa tal consciência de classe para se revoltar contra os patrões e lutar por uma revolução que o colocará sob o controle do Estado ou de empresas protegidas pelo governo.

2. Esse mesmo conformismo e obediência ao sistema é visto em escala infinitamente maior em países que adotaram o comunismo como meta, como na China, onde o cidadão trabalha até a morte de maneira mansa e servil às ordens do PCC, representante do deus Estado.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

O hipócrita dedo-duro de aglomeração

23h59: Pode aglomerar, nós não vamos publicar
00h00: Alô polícia, olha os crentes aglomerando

O jornalista que disse que as pessoas tinham o direito de participar de festas, por considerar uma escolha pessoal, foi o primeiro a alardear que havia pessoas participando de uma. Será pelo fato de ser uma festa religiosa? Não sei, mas o mais incrível é a cara de pau do cidadão ao perguntar qual seria a diferença entre a rua principal de Pipa e o Templo Sede da Assembleia de Deus de Mossoró. Ora, se ele não sabe, eu posso mostrar algumas:
  • em apenas um desses locais podiam ser encontradas pessoas se beijando, se abraçando, se pegando (para ficar só nesses exemplos);
  • em apenas uma das festas havia pessoas consumindo drogas, lícitas ou não, e perdendo a razão ou os sentidos;
  • o acesso a apenas um desses ambientes estava condicionado ao uso de máscara, verificação de temperatura e higienização das mãos.
Como podemos ver, a grande diferença está no cumprimento dos protocolos de biossegurança adotados nesta pandemia: a igreja tem feito a parte dela, mas quantos totens com dispenser de álcool em gel existem espalhados pela ruas de Pipa?

Ou seja, colocar um carnaval de rua e um ajuntamento solene como se fossem a mesma coisa, só pode ser burrice, mau-caratismo, ou o mais provável: desejo de aparecer. Assim, ao que tudo indica, trata-se apenas de um hipócrita que, dizendo-se perseguidor de lacradores, quis ele mesmo lacrar em cima dos mimizentos histéricos.


terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Oxe, e num era crente?

A pergunta foi instantânea, tão logo a imagem surgiu no grupo do WhatsApp, mas o que talvez a pessoa não soubesse é que a foto não era do domingo, dia da procissão, mas da abertura da festa da Diocese de Mossoró. Evangélico, o deputado Allyson Bezerra não compareceu ao tradicional cortejo religioso e tampouco procurou agradar aos líderes católicos com salamaleques em suas redes sociais. Para ele, aquele era um dia comum. Falta de respeito? De maneira alguma, mas é impressionante que blogueiros e jornalistas, inclusive ateus e progressistas, estejam agora cobrando que um político envolva-se em um evento religioso, e o pior, estranho à fé que professa. Ora, existe algo mais ultrapassado que político participando de procissão? "Ah, mas ele foi a um culto para comemorar a vitória nas eleições". E daí? Participar de um culto de ação de graças é o mínimo que se espera de um crente após conseguir uma grande vitória. Falta de respeito é querer forçar alguém a cumprir um ritual religioso contrário ao que acredita. O fato é que, de um jeito ou de outro, indo ou deixando de ir à procissão, fazendo ou não saudação nas redes sociais, o prefeito eleito seria criticado e perseguido de todo jeito, pois não é o servo maior do que seu senhor.

Foto extraída do Facebook de Allyson Bezerra


terça-feira, 30 de junho de 2020

Heresias no ar

Esta semana, buscando por "palavra da justiça", caí num vídeo de um tal Romilson Ferreira, um cara de aspecto simples, mas que fala com certo ar de altivez e boa dose de arrogância. Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato dele referir-se a Deus como Yauh e a Jesus como Yauhsha, o Mashiach, daí fui olhar outros vídeos dele. Devo dizer que o que ele diz é bastante convincente, mas quanto a isso, um psicopata também é. O problema é que, para sustentar o que diz, este cidadão rejeita diversos versículos da Bíblia; alega que são acréscimos enxertados por bispos católicos, e chega ao ponto de rejeitar por completo o Evangelho de João. Ao meu ver, o perigo que envolve questões desse tipo é que quem abriu a mente e tomou como verdade as "revelações" que ele disse, acabará dando crédito a essas e outras heresias ainda maiores. Para terem uma ideia, ele previu que o arrebatamento ocorreria entre 2017 e 2018. Não houve. Daí fez outra previsão, para abril de 2020, com dia e hora marcados. Acabou tendo que tirar do ar os vídeos mais vergonhosos, mas ainda há vídeos onde ele fala do assunto, agora apontando para 15 de abril de 2021, e tá lá, um monte de comentários em apoio a esse cara; cegos sendo guiados por outros cegos.




sábado, 11 de abril de 2020

Por que existe alguma coisa ao invés do nada?

Outro dia eu comentei que um ex-aluno havia me convidado para uma palestra online usando o aplicativo Zoom, uma interessante ferramenta para reuniões à distância e videoconferências.

Hoje, esse mesmo aluno comandou um estudo sobre a autenticidade da Bíblia enquanto Palavra de Deus e citou alguns livros fundamentais para esse entendimento: Ceticismo da Fé, Em defesa de Cristo e Escavando a Verdade.

Respondendo a uma questão sobre a origem do universo, ele usou uma analogia desenvolvida por Rodrigo Silva (Ceticismo da Fé) para propor o seguinte raciocínio: se do nada, nada vem, e hoje existe alguma coisa, então sempre existiu alguma coisa. Que coisa é essa?

Obs. O vídeo foi editado e traz apenas parte do estudo.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Os crentes não querem fechar as portas das igrejas?

O protestantismo, diferente do catolicismo, não possui um comando central e cada denominação evangélica é uma célula administrativamente independente. Apesar disso, em consonância com os decretos publicados pelas autoridades, e mesmo sem repercussão na mídia, várias igrejas já divulgaram notas e avisos suspendendo os cultos e reuniões. Todavia, bastou um pastor dizer que irá manter os templos abertos até que seja notificado pela justiça para que houvesse uma enxurrada de críticas aos evangélicos como um todo. O diabo mora nos detalhes, e de boas intenções o inferno está cheio. Tudo que não precisamos nesse momento é de gente generalizando e apontando os evangélicos como irresponsáveis disseminadores de vírus.



sábado, 25 de janeiro de 2020

Culto de doutrina

Ontem, na casa da minha mãe, assisti ao culto de instrução da Assembleia de Deus de Mossoró. Percebi que o formato praticamente não mudou com o passar do tempo; o púlpito é tal como era na minha época de moleque, há mais 30 anos atrás, com o pastor presidente à frente e vários pastores auxiliares na retaguarda, conforme uma hierarquia. A maior diferença, ao meu ver, é que o culto da sexta-feira, que antes era realizado a portas fechadas, hoje é transmitido pela TV, e todo mundo pode ver os pastores bocejando lá atrás. É cada abrimento de boca que faz até gosto. 😅



sábado, 23 de dezembro de 2017

Dica de negócio

Faça um monte de coisas sem noção, como usar drogas, bater na mulher, largar o trabalho, vender tudo que tem... Vá ao fundo do poço. Seja preso, se prostitua, vá morar na rua, coma lixo, etc. No momento certo, vá numa dessas igrejas neopentecostais — mundial, universal, qualquer uma — e diga que aceita Jesus e quer ser um membro daquela comunidade. Os irmãos irão ajudá-lo e você terá o apoio da instituição.

Daí escreva um livro narrando como o diabo destruiu a sua vida e como a mensagem daquela igreja o tirou do fundo do poço e lhe mostrou o caminho da superação. Agora é só apresentar sua história e vender os segredos que você relata no livro em suas palestras, ou se for num culto, basta passar o chapéu no final do show que, dependendo da sua performance, pode ser até melhor que cachê fixo. 


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Um Deus para chamar de seu



A forma como eu acredito o que seja a vontade de Deus ou como Ele pensa é, na verdade, um reflexo de minha própria vontade e de como eu mesmo penso.
Assim, pra justificar minha homofobia, imagino "Deus é contra os gays", pra valer meu machismo, digo "a Bíblia diz que a mulher deve ser submissa",  pra esconder o meu racismo, acredito que existe um "povo eleito" assim como na existência de um "povo amaldiçoado" por Deus no passado.
Afinal, compreendo os desejos do Senhor e gosto de seguir aquilo que diz a Bíblia -  principalmente as partes que batem com o que EU penso.
Pois é, para ser perdoado, é preciso pensar como Deus pensa, é preciso concordar com a vontade Dele, afinal, sem isso, não seria arrependimento,  pois como posso acreditar convictamente em algo que é contrário ao pensamento de Deus e ainda almejar a salvação da minha na alma? Afinal, Deus não erra.
Então, se eu preciso pensar como Deus e se, de fato, acredito que penso como Ele, como saber se os tais pensamento Dele não são, na verdade, meus?