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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

A Renovação e a Saúde da Alma


Perto da virada do ano, são comuns as saudações de feliz ano novo, “tudo de bom”, muitas vezes de forma automática, ditos da boca pra fora. Em Roma, as pessoas representavam a renovação da virada do ano arremessando objetos velhos pelas janelas. De modo análogo, muita gente ainda conserva o hábito de pintar a casa no início do ano. Ora, é importante zelar pela estrutura física, mas e quanto às pessoas que lá habitam? Mais do que cuidar da aparência, precisamos buscar a saúde da alma; devemos promover o renovo e jogar fora tudo aquilo que é velho e bolorento em nossas vidas. Isso não significa que devemos abrir mão de princípios e valores, mas que devemos sim abandonar vícios, manias e todas as mazelas que nos machucam, todos os fardos que nos prendem em nós mesmos e nos impedem de avançar, como mágoas, culpas e ressentimentos que só nos prejudicam. Desta forma, poderemos ter um ano verdadeiramente novo, vivendo em novidade de vida, como novas criaturas. “As coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”

Essa renovação é importante porque, sem alegria e sem qualidade de vida, a alma vai adoecendo e a situação vai aos poucos se agravando. Conhecida como o mal do século, a depressão não acontece de uma hora pra outra, mas a partir de um acúmulo de coisas não (ou mal) resolvidas e expectativas frustradas que vão impedindo a pessoa de progredir e viver. A consequência disso pode ser, além do abatimento, o cansaço em fazer o bem. Sabemos que a falta de reconhecimento e a ingratidão podem nos entristecer e desanimar, o que contribui para agravar a situação. Contudo, tenhamos em mente que fazer o bem e realizar boas ações são sacrifícios que, além de agradar a Deus, oferecem satisfação pessoal àqueles que as praticam, dando-lhes o prazer de servir e ser útil. O erro, no caso, está em ansiar pelo aplauso. 

Mas como melhorar a qualidade de vida e obter uma alma saudável? Dentre várias atitudes que podem ser tomadas, destacamos três:

1. Falar dos sentimentos. Principalmente quando é algo que precisamos confessar e desabafar. Por isso é importante que tenhamos alguém com quem contar e confiar, alguém com quem possamos conversar abertamente para falarmos dos nossos sentimentos. Precisamos nos abrir e botar aquilo que nos incomoda pra fora. “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados.”

2. Tomar decisões. Decidir é buscar resolver aquilo que nos aflige; é assumir posição na tentativa de resolver conflitos e problemas. Todos os dias temos algo para decidir e atitudes para serem tomadas, mas como decidir sozinho e de forma acertada? Buscando a sinceridade em nosso coração, procurando fazer para Deus, não para os homens, cuidando de renunciar o ego, assimilar valores e assumir consequências. Deus nos instrui acerca do caminho que devemos andar, embora muitas vezes escolhamos atalhos. 

3. Ter uma vida verdadeira. Hoje em dia, é cada vez mais comum viver de aparências, “de fachada”, principalmente nas redes sociais, onde a vida de muitos é um verdadeiro ‘faz de conta’. E embora alguns se acostumem com a situação, de forma geral, as pessoas adoecem quando usam máscaras — nada é o que realmente é —, e assim acabam prejudicando tanto a si próprios quanto àqueles que nelas se espelham.

Portanto, “faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma”. Falemos pois dos nossos sentimentos, assumamos responsabilidades, tomemos decisões e não vivamos de aparências. Pois se não nos livrarmos e resolvemos nossos traumas, se não nos decidimos acerca do que devemos e precisamos fazer ou se vivemos uma vida falsa e sem propósito, não tem jeito, acabaremos por adoecer. 

Extraído da aula ministrada pelo pastor Antônio Tadeu, domingo, 12 de janeiro de 2020, na Escola Bíblica Dominical da Igreja Batista Fundamentalista. Referências bíblicas: 2Co 5:17, Hb 13:1-3,16, Tg 5:16, 3Jo 1:2.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

A musculação e o exercício da fé cristã


Percebendo minha queda de rendimento na academia, em relação às cargas e repetições que antes eu fazia e que agora consigo fazer após quase um mês parado, me ocorreu que coisa semelhante pode acontecer na nossa vida cristã. Pois a fé é o nosso alimento, mas a oração e a prática do bem são nossos exercícios; desta forma, por mais forte espiritualmente que você possa se imaginar, jamais deve negligenciar a prática desses exercícios espirituais, pois assim como ocorre na atividade física, em pouco tempo você também acaba enfraquecendo.

Quando começamos a fazer musculação, é comum nos observarmos no espelho e nos admirarmos com pequenas mudanças que ocorrem no nosso corpo — quem nada tem, se espanta logo com o pouco que consegue — o problema consiste quando isso vira um hábito, e aí, qualquer tempo que passamos nos lambendo ou observando detalhes que até então não tinham importância, tal como quem passa um tempão editando uma foto para o Instagram, já é tempo demais jogado fora. Na vida cristã, é comum que o novo convertido se empolgue consigo mesmo e, em pouco tempo, já se ache capaz de pregar a palavra, exortar os irmãos e abrir o Mar Vermelho. É claro que isso tem a ver com a chama do Espírito Santo em sua vida, mas, em parte, acontece também porque o brasileiro, de forma geral, tem uma tendência, quase que uma necessidade, de falar sobre aquilo que deveras desconhece, além disso, vivemos num vácuo moral tão grande que, ao menor sinal de virtude, o cidadão já se acha um baluarte dos valores, capaz de ditar regras e conselhos que fariam inveja a um monge budista.

Mas, enfim, passado algum tempo na academia, o suficiente para não ser mais considerado principiante, o aspirante a Mister Olympia acaba percebendo que a escalada em busca do corpo perfeito não é uma subida constante e em linha reta, mas formada de longos patamares e pequenos aclives que se assemelham a uma escada de degraus extremamente largos e incrivelmente baixos, de forma que o praticante já começa a se questionar se vale a pena caminhar tanto para subir tão pouco. Na igreja, o aprendiz de apóstolo logo percebe que não basta apenas falar do amor de Deus que 3 mil almas se converterão naquele dia, que colado ao seu discurso deve estar o seu exemplo de vida, que suas atitudes falam muito mais do que suas palavras e que isso exige o exercício da piedade. Ou seja, ambos se deparam com o desafio da perseverança.

Por essa razão, há muitos que, impacientes com os poucos resultados obtidos a duras penas, optam pelo atalho dos anabolizantes; os fins justificam os meios, lembra? E se a finalidade do cidadão é ficar bombado, então viva a alegria do agora. De forma semelhante, tem crente que, incomodado com tantas “exigências”, acaba por procurar uma alternativa mais light, um evangelho mais cômodo, uma igreja de gente feliz que não repara na vida alheia... Mas se há algo constante nesta vida, é a insatisfação humana; e alguém que traiu seus princípios à procura da felicidade imediata, facilmente cederá a outras tentações nessa busca incessante cujo caminho é sempre ladeira abaixo.

A musculação, como sabemos, exige paciência e perseverança; deve ser praticada todos os dias e os resultados aparecem a longo prazo. Contudo, por mais tempo que tenhamos na prática desse esporte, se nos tornamos negligentes, perdemos facilmente aquilo que conquistamos com tanto sacrifício, e embora a imagem no espelho às vezes indique que as coisas ainda estão bem, basta tentar fazer 20 flexões de braço para constatar o retrocesso. Orar e fazer o bem são atitudes que demandam também esforço e persistência, mas para quem não tem (ou perdeu) esse hábito, orar por 2 minutos ou passar meia hora visitando doentes num hospital torna-se algo tão penoso quanto fazer 30 segundos de prancha fixa.

É fato que estamos vivendo cada vez mais, e que, com a idade, vamos perdendo massa muscular e óssea, e é exatamente por isso que precisamos nos manter fisicamente ativos. Se após os 70 anos, a vida é só canseira e enfado, muito mais será se não tivermos músculos para dar sustentação a ossos e articulações. Para isso, a musculação é um dos melhores exercícios, mas a menos que queiramos virar atletas profissionais, nossa finalidade deve ser menos com a aparência física do que com a saúde, tal como o crescimento espiritual não deve ser para o nosso engrandecimento pessoal, mas para que assim resplandeça a luz de Cristo através de nós, para que Ele cresça e a gente diminua.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

O Desafio da Perseverança - Parte I: Oração e Fazer o Bem


“Começar é fácil; permanecer é o desafio.”

Mais um ano se inicia, e com ele, o desafio da continuidade e de nos mantermos firmes e constantes no Senhor; para tanto, perseverar é a chave. A perseverança é uma recomendação bíblica para todo crente, sendo um dos segredos para uma vida cristã vitoriosa, pois “é na vossa perseverança que confirmais a salvação da vossa alma” (Lc 21:19). No entanto, sabemos que não são poucos os que abandonam aquilo que propõem a fazer. Sonhos, projetos, resoluções de ano novo; tem gente que faz até promessa, mas muitos começam, não persistem e acabam desistindo. Perseverar é exatamente não desistir, é encontrar forças para, de alguma forma ou maneira, permanecer e continuar seguindo em frente, independente das circunstâncias. É demonstração de firmeza e constância, e está ligada à paciência e à esperança. 

A perseverança é importante porque nos ajuda a mantermos nossos olhos no que é importante, no nosso alvo: Jesus. Contudo, para que a perseverança aconteça de forma real em nossas vidas, precisamos enfrentar tribulações. Romanos nos diz que as tribulações produzem perseverança, ou seja, sem elas, talvez você não aprenda a perseverar. Então, se foi no mar alto que a tribulação surgiu, é lá onde você deve estar para aprender a perseverar. Afinal, "quem mandou largar a rede?". A dificuldade de muitos em crescer espiritualmente está justamente na deficiência desse aprendizado. Assim, uma crítica, uma cara feia, ou a ausência de elogios, já são suficientes para deixá-los desestimulados e pensarem em desistir. A Bíblia, contudo, não só nos diz para perseverarmos, como também nos diz em que devemos perseverar.

Na oração
"Eles perseveravam no ensino dos apóstolos… e nas orações”. A igreja primitiva era um exemplo de igreja que orava. Jesus exortava os discípulos para orarem, mas Ele mesmo deu exemplo de uma vida de oração. É através da oração que entregamos ao Pai os nossos problemas e necessidades, que apresentamos a Ele nossas angústias, e isso é relacionamento com Deus. Por meio da oração, conseguimos compreender melhor a Palavra, recebemos dons espirituais, nos tornamos capacitados para enfrentar as lutas, vencer as tribulações, etc. Mas se nos tornamos negligentes, e não sentimos falta da oração, isso é um problema; quando passamos muito tempo sem orar, as coisas espirituais vão perdendo o sentido e nossa vida cristã vai definhando. Quando nos afastamos de Deus, o Espírito Santo bate em nosso coração nos fazendo lembrar, mas quando perdemos isso, tornamo-nos superficiais, distantes, às vezes, bem para com nós mesmos, mas não para com o Senhor. 

Em fazer o bem
Fazer o bem é uma obrigação de todo crente, mas parece que muitos estão se cansando disso. Alguns começam, mas param no primeiro aborrecimento; na primeira contrariedade, viram as costas e desistem, porém “quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, está pecando”. É por isso que precisamos perseverar nesse aspecto, mesmo que as pessoas não agradeçam, mesmo que não haja reconhecimento, ainda assim precisamos insistir em fazer o bem. Dez leprosos foram curados, mas só um voltou para agradecer. As pessoas são assim, linguarudas, mal agradecidas, e quanto mais você faz, mais elas julgam. Talvez por isso você esteja chateado e se recuse a fazer algo por alguém, mas se quem primeiro deve fazer é o crente, e este não faz, temos então concretizado o exemplo que Jesus nos mostrou na parábola do bom samaritano. Certamente que nem todos estarão dispostos a fazer como Paulo: "procuro agradar a todos porque não procuro meu próprio bem, mas o bem de muitos, para que sejam salvos". Mas se formos condicionar nossas atitudes à aprovação dos homens, talvez não recebamos tapinhas nas costas e elogios, e aí, como ficará a nossa motivação para fazer o bem? É bom sermos reconhecidos? Sim, mas não devemos basear nossas ações nisso. 

Afinal, qual a nossa percepção em relação à perseverança? Temos perseverado na oração e no fazer o bem? Estamos realmente fazendo o bem ou estamos intimamente desejando mal ao outro? É importante pensarmos nisso e nos mantermos atentos.

Extraído do sermão do pastor Antônio Tadeu, domingo, 05 de janeiro de 2020. Algumas referências bíblicas: Perseverança: Lc 21:19, Hb 12:1, Rm 5:3-5, 2Tm 2:3-4. Oração: At 2:42, 1Ts 5:17, Lc 18:1, Rm 12:12, Ef 6:18, Cl 4:2. Fazer o bem: Gl 6:9-10, Tg 4:17, 1Co 10:33, Rm 2:6-7