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domingo, 11 de abril de 2021

SP e RS concentraram 35% das 50 mil mortes registradas nos últimos 17 dias


Sempre que falamos sobre o número de mortes por Covid-19 no Brasil, imaginamos esse número como um todo, como se elas ocorressem de forma proporcional por todo o país, mas não é isso que ocorre; há estados que concentram um número maior de mortes e puxam os números para cima.

A notícia do UOL mostra que o Brasil pulou de 300 mil para 350 mil óbitos por Covid-19 em apenas 17 dias, uma média diária de quase 3 mil mortes. Mas além do drama da situação, chama a atenção o fato de que, dessas 50 mil mortes (números arredondados), 13,5 mil foram no estado de São Paulo. 

"Ah, mas trata-se do estado mais populoso do país".

Com quase 46 milhões de habitantes, SP concentra 21% da população brasileira (estimada em 212 milhões de pessoas), mas o número de óbitos no estado representa 27% das 50 mil mortes registradas de 24 de março a 10 de abril. Para efeitos de comparação, o estado do Rio de Janeiro — que apesar de menos populoso, tem o dobro da densidade demográfica de SP — registrou cerca de 3 mil óbitos nesse mesmo período, o que dá aproximadamente 6% das 50 mil mortes, sendo que, com seus 17 milhões de habitantes, o RJ tem aproximadamente 8% da população do Brasil, ou seja, um índice de mortes inferior ao percentual da população.

Entendeu? Então vejamos outro exemplo.

Além de São Paulo, outro estado que registrou mortes acima da proporção populacional foi o Rio Grande do Sul. Com estimativa de 11,5 milhões de habitantes, aproximadamente 5% da população brasileira, o estado gaúcho registrou no período analisado cerca de 4 mil mortes, o que representa 8% das 50 mil mortes relatadas. Como curiosidade, o RS foi um dos estados mais severos com relação ao lockdown, com proibição até mesmo de venda de produtos considerados "não essenciais" nos supermercados.

Mas o que SP e RS têm em comum? Ambos são administrados pelo PSDB e governados por 'gestores' que alimentam pretensões à presidência da república. Além disso, se fossem países, estariam à frente do Brasil entre as nações com mais mortes por milhão de habitantes.

Fontes:


sexta-feira, 9 de abril de 2021

Fechamento das igrejas: Ativismo judicial e visão narrativa das coisas

Pipipi-popopó, ministro pelego, pastores neopentecostais, gado evangélico...

Para início de conversa, vejamos o que diz a Constituição Federal em seu Art. 5º, inciso VI: "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias".

Dito isto, é preciso deixar claro que o voto do ministro Nunes Marques não foi simplesmente para liberar os cultos, mas no sentido de impedir que governadores e prefeitos possam, de forma arbitrária, interromper as atividades presenciais de algo que, segundo o texto constitucional, deveria ter o livre exercício garantido.

Além disso, a reabertura dos templos não seria de qualquer maneira; em seu voto, o ministro estabeleceu uma série de restrições, inclusive limitando a 25% da capacidade, ou seja, numa igreja com 80 assentos, apenas 20 poderiam ser ocupados, e isso seguindo todos os critérios de distanciamento, máscaras, aferição de temperatura, etc. Mas como podemos ver, a estratégia do militante é sempre politizar e repassar a informação da forma mais mastigada e deturpada possível.

Todavia, como é possível supor que Bolsonaro estaria determinando algo no Supremo se foram os governadores que provocaram o debate? Ora, se existem decretos que estariam ferindo a Constituição, estes não deveriam ser discutidos no STF? Se não, para que serviria a suprema corte?

E finalmente, como esse episódio alimentaria a narrativa da cristofobia se a matéria não era limitada aos templos cristãos? É incrível a capacidade inventiva desse pessoal; enxergam a presença de Bolsonaro no voto do ministro indicado por ele, mas ignoram o fato de que o tribunal que há duas semanas liberou Lula é o mesmo que agora manda o Senado abrir CPI para investigar o governo, inclusive com ministro dizendo em entrevista que tem que tocar o impeachment do presidente. É um show de bizarrices.



sexta-feira, 26 de março de 2021

"Todo mundo que morrer pode botar na conta do Bozo"

Na semana passada, em resposta a uma mensagem de pêsames postada pelo filho do presidente, o deputado MamaeLacrei deu a entender que Bolsonaro causou a morte do senador Major Olímpio ao não providenciar uma chegada mais cedo das vacinas. 

Embalado pela provocação do youtuber, um participante do Copinho ANVISA comentou: "Pior que não mentiu. Todo mundo q morrer pode botar na conta do bozo, já era pra vacina tá aí".

A opinião do colega não ganhou eco no grupo, mas assim como ele, muita gente tem esse mesmo pensamento. Todavia, como podemos ver no print abaixo, a vacina (CoronaVac) não nos dá essa certeza. O secretário de saúde do município de Lins/SP estava entre as primeiras pessoas plenamente vacinadas no Brasil; sua primeira dose foi administrada logo na primeira semana de vacinação, mas a notícia da sua morte nos mostra que não é porque alguém tomou o imunizante que agora está isento de ser vítima da Covid-19.

"Ah, mas isso é desonesto; você está pegando um caso isolado para tentar derrubar a tese de que a vacina não imuniza as pessoas", contestou o colega que havia endossado o Arthur do Mal.

De fato, eu mesmo já falei que pegar um único caso para provar uma generalização é algo complicado e beira a desonestidade. Por exemplo, pegar a morte de um atleta para justificar que todas as academias devem ser fechadas, ou usar a morte de um professor que estava dando aulas presenciais como justificativa para fechar todas as escolas — afinal, professores também morrem de Covid sem estarem em sala de aula — mas o que fiz foi exatamente o contrário: peguei um único caso para refutar uma generalização, pois contra uma afirmação de 100%, 1 já é suficiente.

Além disso, meu argumento não foi contra a CoronaVac, mas contra a alegação de que "todo mundo" que morre por não ter recebido a vacina a tempo é culpa do presidente, pois de acordo com esse raciocínio, o imunizante daria 100% de proteção às pessoas, mas como já vimos, isso não é verdade — sem falar do tempo que leva para vacinar mais de 200 milhões de brasileiros.

Ai, ai, eu deveria estar sendo pago. 😅



quarta-feira, 24 de março de 2021

Deputado sugere que a governadora do RN deveria se vacinar na Paraíba


Por meio de videoconferência, o deputado estadual Gustavo Carvalho (PSDB) sugeriu durante audiência virtual da ALERN que a governadora do Rio Grande do Norte vá até a Paraíba para tomar a vacina contra a Covid-19. A recomendação ocorre porque enquanto o RN ainda está vacinando na faixa dos 74 anos, no estado vizinho, a imunização já atende idosos a partir dos 65 anos, exatamente a idade da governadora.

Fátima pertence ao grupo de risco; tem idade avançada e é asmática. Como paraibana, a petista deveria cuidar de garantir sua saúde e se vacinar logo, pois aqui, do jeito que a coisa vai, corre o risco dela ser vítima da ineficiência do próprio governo.



domingo, 21 de março de 2021

Discurso do governo antes e depois do colapso no RN

Imagens printadas do Blog do BG e Twitter

Percebam aí a estratégia: se o governo antecipa-se ao problema e prepara o serviço de saúde para diminuir o número de mortes e evitar um colapso no sistema, a existência prévia de leitos acaba não gerando ganho político, afinal o governo estaria fazendo apenas o que lhe é devido; e se está fazendo bem, não é mais do que sua obrigação. Entretanto, se forem usadas justificativas para não abri-los previamente, como as alegações de que ampliar o número de UTI's é "enxugar gelo" ou que "estimula as pessoas a aglomerar", cria-se uma reação social negativa que, apesar de rápida e intensa, é momentânea e esvai-se no momento em que a mídia governista entra em ação; a impressão negativa é então empanada pela ação providencial da governadora que, no momento de maior clamor, chega com a providência.

Não estou dizendo que foi o que aconteceu, mas que é essa a minha impressão. E sim, conhecemos o ditado: tempos de crise também são tempos de oportunidades.


sábado, 20 de março de 2021

Ciro: Nós todos estamos tratando de destruir o Bolsonaro


23h59 - com o advento da reeleição, a oposição precisa cair matando em quem vence as eleições para evitar que ele acerte a mão e governe por 8 anos.

00h00 - nós todos estamos tratando de destruir Bolsonaro senão ele fica aí 8 anos e acaba de liquidar o país.

Percebeu aí? Traduzindo: "estamos tentando destruir o país para evitar que Bolsonaro acerte a mão e governe por 8 anos". Como podemos ver, o antagonismo esquerdista não ocorre pelo bem da nação ou em favor dos mais pobres, mas pela manutenção de uma hegemonia política/ideológica que continue a ditar as regras do jogo.

A alegação de que a culpa dessa postura destrutiva seria o instituto da reeleição é pura balela; a alternância do poder é tudo o que a esquerda mais odeia. Com Temer, melaram a reforma trabalhista e usaram a greve dos caminhoneiros para sabotar a economia e impedir as pretensões de reeleição do vampirão. Com Bolsonaro, tentaram desidratar a reforma da previdência e usaram a figura de Rodrigo Maia para instituir uma espécie de parlamentarismo branco que isolasse o presidente e impedisse o andamento de sua agenda política. Sem falar das sabotagens jurídicas.

A impressão que temos é que no céu desse país, somente uma estrela pode brilhar, e ela é vermelha.


segunda-feira, 15 de março de 2021

Cristofascismo? Era só o que faltava


O texto acima já tem alguns meses, mas foi postado recentemente em um grupo de WhatsApp que participo. Deixando de lado os absurdos usados na matéria, como a alegação de que o cristianismo legitimou a escravidão, vamos aos pontos que eu rebati.

1º. Guardadas as devidas proporções, usar as igrejas neopentecostais para atacar os evangélicos é como usar os hooligans para atacar os fãs de futebol. As igrejas tradicionais e pentecostais rejeitam os líderes neopentecostais e os consideram falsos mestres divulgadores de heresias.

2º. Não é à toa que existam ligações entre alguns desses líderes charlatães, políticos e traficantes; muitos são psicopatas que encontraram nas seitas protestantes um ambiente ideal para manipulação, enriquecimento e poder.

3º. Sobre a alegação de que a intenção do tal cristofascismo é "inserir o indivíduo no mercado de trabalho de forma submissa, sem consciência de classe para que possa lutar por seus direitos, e temente a Deus", temos algumas considerações:

1. Ninguém é obrigado a ter sua mente lavada por essa tal consciência de classe para se revoltar contra os patrões e lutar por uma revolução que o colocará sob o controle do Estado ou de empresas protegidas pelo governo.

2. Esse mesmo conformismo e obediência ao sistema é visto em escala infinitamente maior em países que adotaram o comunismo como meta, como na China, onde o cidadão trabalha até a morte de maneira mansa e servil às ordens do PCC, representante do deus Estado.


quinta-feira, 11 de março de 2021

A justiça e o timing político do PT

Tem uma coisa que eu não consigo entender sobre essa anulação dos processos de Lula. As mensagens hackeadas estão há mais de um ano em poder dos ministros do STF; a ideia de votar a suspeição de Moro é tão antiga quanto o vazamento das mensagens; as decisões contra ou a favor de Lula sempre tramitam à velocidade da luz nos tribunais brasileiros; então, se é verdade que a anulação das condenações do ex-presidente é um ato de justiça, por que ela demorou tanto? Por que a declararam de incompetência da República de Curitiba para julgar os processos contra Lula não saiu antes das eleições de 2020?

Vamos lá, nas últimas eleições municipais, o PT ficou sem nenhuma capital — algo inédito na história do partido — além disso, encolheu significativamente quanto ao número de prefeituras. Então por que não soltaram o Kraken antes?

Na minha opinião, para que não houvesse uma interpretação negativa do julgamento popular. Afinal, uma coisa é votar no poderoso chefão, outra coisa é votar nos seus indicados. Basta lembrar que o próprio Bolsonaro esquivou-se de se envolver na campanha de 2020 justamente para evitar esse tipo de julgamento — mesmo estando com a popularidade em alta graças ao Auxílio Emergencial — apesar de que, de qualquer forma, isso não impediu de alguns especialistas apontarem a derrota do bolsonarismo no pleito municipal.

Quanto à queda do PT, ela foi expressiva, mas não foi desastrosa; uma coisa é o partido sair perdendo numa eleição em que Lula não está na linha de frente, outra coisa é sair perdendo com o 9 em campo; isso seria um desastre para as narrativas e poderia inclusive comprometer as pretensões do molusco para 2022. Ou seja, ao que parece, a Justiça não só está sendo feita, como está agindo de acordo com o momento político mais adequado. E eu achando que não estava entendendo.



sábado, 6 de março de 2021

O silêncio das rãs

Creative Commons Image

Por todo o Brasil, a última semana de fevereiro e a primeira semana de março foram marcadas por uma série de decretos governamentais que, cada vez mais rígidos, têm provocado apreensão e dividido opiniões. No Rio Grande do Norte, não sei se vocês repararam, mas a governadora não decretou as novas medidas restritivas sem antes anunciar a abertura de novos leitos pelo estado. "Durante os próximos 15 dias estão previstos mais 29 novos leitos Covid19 em Mossoró: sendo 10 leitos UTI no HSL, 16 leitos clínicos no HRF e mais 1 leito UTI e 2 semicríticos no HRTM", informou a propaganda governamental um dia antes da publicação do decreto 30.388 de 05 de março de 2021.

Tá, mas e daí? Como a ampliação do toque de recolher e a restrição às atividades sociais e econômicas — ditas não essenciais — não surtirão o efeito (supostamente) esperado, o número de casos da doença continuará a crescer, e, encerrados os doze dias de sua vigência, aquilo que deveria ser o fim das medidas mais restritivas acabará por se transformar em um novo decreto com medidas ainda mais restritivas. Para tanto, a alegação do governo será a de que, mesmo com a ampliação da capacidade de atendimento, o sistema voltou a colapsar. Basta lembrar que o vice-governador afirmou nesta semana que abrir leitos no estado é o mesmo “enxugar gelo”.

Mas o que nos leva a apostar no recrudescimento das regras, além da pouca eficácia do toque de recolher, é o fato de que, diferente do que aconteceu em 2020, quando prefeitos e governadores fecharam tudo de forma brusca e saíram prendendo gente sentada em banco de praça ou caminhando no calçadão, a estratégia para 2021 tem sido a de impor as restrições aos poucos e valer-se do pânico provocado pelo colapso na saúde para ganhar adesão da população às regras impostas, mesmo elas sendo cada vez mais duras.

No Ceará, estado que parece estar servido de inspiração para Fátima, a limitação de circulação de pessoas, que antes era a partir das 22 horas, passou a ser às 20h nos dias de semana e 19h aos sábados e domingos, e agora entrou em período integral com o lockdown rígido de 05 a 18 de março. No RS, que também recebeu restrição de horários na semana anterior, o governador Eduardo Leite usou o dia 05 de março para proibir a venda de produtos não essenciais nos supermercados e vetou a divulgação de promoções "que possam causar aglomeração".

E o que queremos dizer com isso? Que as medidas adotadas nos estados citados acima são prenúncios do que em breve deverá acontecer no RN. Hoje, 06 de março, já recebemos notícias de lotações em bares, lanchonetes, restaurantes, shopping e também nos supermercados. E por que? Ora, o decreto foi publicado ontem, quinto dia útil do mês; e com um dia a menos para sair e menos tempo para aproveitar, estava na cara que a ampliação das restrições de circulação acabaria por provocar mais aglomerações, e não menos.

Enfim, o toque de recolher decretado por Fátima no dia 26 de fevereiro — que pode muito bem ser interpretado como um abuso inconstitucional — foi considerado por muitos como brando demais, incipiente ou pouco efetivo; afinal, o movimento nas ruas após as 22h já é baixíssimo num estado violento como o RN. Ou seja, a impressão que temos é que para os apoiadores da petista, o importante não é exatamente o impacto de suas medidas sobre o vírus, mas o quanto elas podem impactar nas vidas das pessoas e sobre os seus negócios. No entanto, após esse decreto do dia 05, há quem diga que houve um avanço, e a exemplo do que ocorreu nos estados do CE e RS, já consideram a sua ampliação.

A estratégia, como eu disse, é ir cozinhando as rãs aos poucos, em fogo brando; assim elas não se assustam e até gostam. Por falar nisso, aproveite para pedir o seu delivery e relaxar enquanto a água está morninha. 🛀



sexta-feira, 5 de março de 2021

A quebradeira do bem

Imagem Creative Commons

Vamos lá, qual a consequência inevitável das medidas de restrição ao comércio e aos serviços e atividades ditas não essenciais? Quebra da economia. E o que temos numa economia quebrada? Aumento dos preços, do desemprego, da depressão, da violência, da miséria, etc. A lista de desgraças é grande. Mas tudo isso, diante de uma pandemia, seria visto com certa naturalidade se, apesar das consequências, as medidas de fechamento fossem as únicas ou a mais efetivas alternativas para o salvamento de vidas.

Contudo, no momento em que aqueles que mais defendem essas medidas de sacrifício econômico passam a apontar para o governo acusando-o de provocar desemprego, inflação e miséria, fica evidente que a intenção do lema “economia a gente vê depois” não é exatamente colocar a vida das pessoas em primeiro lugar, mas apostar no quanto pior melhor para a derrocada do governo.


Aliás, para esse pessoal cujos fins justificam os meios, a vida das pessoas é o que menos importa. Caso contrário, se houvesse o mínimo de compreensão e espírito de coletividade por parte da oposição, dentre outras coisas, haveria um consenso acerca das consequências financeiras provocadas pelas medidas de combate à pandemia; não se falaria em recessão, pelo menos não nesse momento, e não se apontaria um culpado pelo desastre econômico inevitável, que como se vê, não é provocado somente pelo vírus ou por aquele que teoricamente está no comando da nação, mas também por um conjunto de gestores e burocratas empenhados em receber cada vez mais verbas públicas para torrar sem precisar dar satisfação.

E afinal, por que fingir desentendimento, quando o mote é tão simples? “A gente fecha o ambiente, você banca a despesa, e aquilo que quebrar, já sabe, a culpa é sua. Como? Você não aceita?" Risos. "Quem disse que te demos opção?" Mais risos. "Mas fica triste não; lembre-se: é para salvar vidas”.


quinta-feira, 4 de março de 2021

Cozinhando as rãs

Diferente de 2020, quando fecharam tudo de forma brusca e saíram prendendo gente sentada em banco de praça ou caminhando no calçadão, a estratégia dos prefeitos e governadores para 2021 é ir impondo aos poucos (cozinhando as rãs) e usar o pânico para ganhar adesão da população. No Ceará, a limitação de circulação de pessoas, que antes era a partir das 22 horas, passou a ser às 20h nos dias de semana e 19h aos sábados e domingos, agora já está anunciado um lockdown rígido de 14 dias a partir desta sexta-feira (05). Seguindo na esteira de Camilo Santana, é muito provável que Fátima siga o exemplo do colega petista e adote as mesmas (ou piores) medidas restritivas para o RN. Lembrando que em 2020, quando tudo começou, a proposta inicial também era de apenas duas semanas.



segunda-feira, 1 de março de 2021

Toque de recolher: ação das forças de segurança divide opiniões em grupo de WhatsApp

Após a governadora do RN decretar o toque de recolher, medida considerada por muitos juristas como inconstitucional, o assunto viralizou nas redes sociais e foi o tema central dos debates durante o último fim de semana.

No Copinho ANVISA, grupo de WhatsApp formado por especialistas de diversas áreas, do eixo científico-educacional ao setor jurídico-midiático, passando pelo entretenimento adulto e gastronômico, alguns participantes classificaram como exagerada a ação policial que percorreu a cidade na noite de ontem em cumprimento ao decreto da governadora Fátima Bezerra (PT), que restringe a circulação de pessoas no horário das 22h às 5h. "Tem pra que fazer um show desse pra fechar um estabelecimento? Tá mais pra um desfile", comentou um participante; "Mossoró é pequeno, poucos bares funcionam de madrugada, com duas viatura rodando, em 40 minutos fechava tudo", sugeriu outro; e teve até quem fizesse menção ao clássico "um cabo, um soldado e um jipe".

Mas também houve quem discordasse, ou seja, que apoiasse o comboio da repressão estatal; um deles, ligado a um grande veículo de comunicação, alegou que, se o efetivo for pequeno, ao tentar fechar um bar, os PM's "saem de lá apanhando". Ora, pelo que sei, se isso acontecesse, seria a primeira vez. A verdade é que toda essa pirotecnia do tal Pacto Pela Vida nada tem a ver com a segurança dos cidadãos ou dos policiais, mas com marketing pessoal da governadora; tanto é que a mulher não se cansa de exibir esses vídeos no seu Twitter para mostrar que tem comando.

Agora, após assistir à demonstração de força, a pergunta que muita gente tem feito nesses últimos dias é a mesma do jornalista Gustavo Negreiros: por que esse aparato de segurança não é usado todos os dias no combate à criminalidade?



domingo, 28 de fevereiro de 2021

Por que não tivemos toque de recolher antes?

Estadão: Ocupação de leitos para covid-19 atinge 100% em Natal e Mossoró

Em junho de 2020, a ocupação de leitos específicos para o tratamento da Covid-19 atingia a capacidade máxima nas duas maiores cidades do RN. Na matéria do Estadão, consta que apesar de toda a pressão sobre o sistema de saúde, a Sesap não considerava que o estado havia chegado ao pico da doença, ou seja, a expectativa era de que a situação poderia se agravar ainda mais.

Mas o que mais nos chama a atenção é o trecho onde diz que "Mesmo com todos os leitos para o tratamento da doença ocupados nas cidades consideradas epicentros no Estado, o secretário de saúde evita confirmar que o sistema de saúde local está colapsado." Vocês entenderam? Com 100% das UTI's ocupadas nas duas cidades polo, ninguém falava em colapso no sistema de saúde e muito menos em toque de recolher; à época, já haviam substituído o imperativo "Fique em casa!" pelo sugestivo "Se puder, fique em casa." e até já haviam garantido as eleições. 

Mas hoje, com a taxa média de ocupação em 89%, o que mais se ouve falar é que o sistema está colapsado e que o caos provocado pela segunda onda seria a justificativa para a governadora decretar toque de recolher e ameaçar prender quem estiver circulando na rua após o horário permitido. Afinal, é para o nosso próprio bem, e como se diz: "Hay que endurecerse pero sin perder la ternura jamás".


sábado, 27 de fevereiro de 2021

Inconstitucionalidade às claras

Quando ouvi falar que a governadora havia decretado toque de recolher em todo o estado, achei que a aplicação do termo era uma paráfrase de algo dito de forma velada, como restrição à circulação de pessoas, mas não; no decreto de Fátima, publicado hoje, está lá, com todas as letras, e em caixa alta: "TOQUE DE RECOLHER". Ou seja, nem é preciso interpretação para ver que o decreto é inconstitucional e abusivo, pois fere uma das cláusulas pétreas da Constituição Federal, a que trata das liberdades individuais, no caso, a livre locomoção em tempos de paz. E aliás, eu tenho pra mim que a intenção é justamente essa; arrancar as páginas do Art. 5º, fazer um canudo e enfiá-las de goela abaixo na população; e se achar ruim, eles enfiam em outro canto.




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Educação Financeira: por que não vemos isso na escola?


Vez por outra tenho visto alguns vídeos e memes criticando a escola pelo fato dela não ensinar determinados assuntos práticos, como a educação financeira, por exemplo. É justo questionar isso, mas em primeiro lugar, a crítica não deveria ser dirigida à escola, pois isso é o equivalente a pagar pau com um entregador e não com o fornecedor do produto que não está te satisfazendo; o foco das críticas deveria ser o MEC, pois é lá onde os burocratas da educação determinam o tipo de conhecimento que é ou não disponibilizado aos brasileiros através da escola.

Além disso, Educação Financeira é um assunto do qual a maioria dos professores não têm muito conhecimento teórico, pois não estudaram sobre isso na escola e muito menos na faculdade, e para muitos falta, inclusive, o conhecimento prático — basta ver pela quantidade de professores se lamentando das finanças ou endividados.

O fato é que, se hoje fala-se muito sobre educação financeira, e aos poucos vemos o assunto sendo introduzido na escola (nova BNCC), isso acontece porque as redes sociais, especialmente o YouTube, fizeram o gênio sair da garrafa; muitos conteudistas passaram a tratar desse tema justamente porque perceberam a sua ausência nos bancos escolares, na academia e na sociedade, daí usaram esse fator como forma de atrair o público e ganhar dinheiro com esse conteúdo — não necessariamente visando ajudar os outros a ficarem ricos.

Tá, mas a pergunta é por que o assunto não era tratado na escola? A resposta curta e grossa é “porque o governo não queria”. Se essa resposta é suficiente, pule para o último parágrafo, se não, então "senta que lá vem a história…". 

A principal forma de arrecadação do governo é através de impostos indiretos, aqueles que você paga sem saber que está pagando; esses impostos concentram-se principalmente no consumo, e quanto mais o povo consome, mais o governo arrecada. Nos últimos 20 anos, os governos focaram num tripé macroeconômico que funcionava à base de isenção fiscal para grandes empresas, ampliação do crédito e taxação do consumo; esse foi o motor que, juntamente com o aumento da dívida, impulsionou o crescimento econômico do Brasil durante o período petista — e tudo o que eles não queriam era que você parasse de gastar seu dinheiro comprando coisas e aquecendo a economia para passar a investir no mercado financeiro. 

Mas ainda há muito a ser dito sobre isso, então podemos resumir desta forma: fomos mantidos na ignorância porque a educação financeira era uma espécie de segredo do qual apenas uma elite financeira deveria ter acesso. Basta ver que na época do Brasil Maravilha, enquanto a classe trabalhadora brincava de ser classe média, consumindo e se endividando como se não houvesse amanhã, os ricos aproveitavam os juros da Taxa Selic para investir no Tesouro Direto e fazer suas fortunas crescer graças às maravilhas da renda fixa. Tanto é que, à época, quando se tratava da alta dos juros, os especialistas limitavam-se a dizer apenas que a alta da Selic era uma espécie de remédio amargo para segurar a inflação, mas sem nunca mencionar que aquilo que encarecia o crédito poderia também fazer o seu dinheiro render bem mais do que a poupança. 

Enfim, a bolha da ignorância continua até os dias de hoje, mas é cada vez maior a quantidade de gente escapando dessa Matrix. E acredite, eu queria muito ter acordado dela antes. Contudo, educação financeira não tem muitos segredos, e tudo começa com algo muito simples: poupar. Afinal, "o importante não é exatamente quanto você ganha, mas quanto você é capaz de guardar". Como eu disse, há muito a ser dito e acho que já me estendi bastante, mas uma maneira de começar bem nesse assunto é lendo o livro 'Pai Rico, Pai Pobre', de Robert Kiyosaki, ele vai te fazer pensar e vai colocar mais ideias na sua cabeça do que qualquer aula de educação financeira dada numa sala de aula.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

A alta da gasolina e os aplicativos de pagamento


Rapaz, eu tenho uma teoria para esses aumentos sucessivos da gasolina, mas antes de tudo, preparem os chapéus de alumínio. Pois bem, eu acho que essa alta dos preços pode estar ligada a uma estratégia de marketing para promover os meios de pagamento digital, como Picpay, Ame e MercadoPago, por exemplo. Por quê? Como é de conhecimento de todos, está em curso, e não só no Brasil, um processo de estímulo aos pagamentos remotos, seja por cartão de aproximação, Pix, leitura de QR Code, ou coisa parecida; o fato é que, por questões de segurança (segundo dizem), em breve o dinheiro físico deixará de existir. Então, o que vimos com essa escalada de preços dos combustíveis? Em um curto intervalo de tempo, uma enxurrada de gente passou a optar pelos pagamentos via aplicativo como forma obter algum tipo de desconto no abastecimento — o Ame, por exemplo, dá 10% de cashback — e esta foi uma alternativa que muitos consumidores encontraram para tentar para driblar os aumentos e, em muitos lugares, voltar a pagar menos de 5 reais pelo litro da gasolina. 

Então, ao meu ver — e aqui deixo claro que isso é uma especulação minha, pois ainda não li nada a esse respeito — a equipe econômica do governo teria percebido essa estratégia e decidiu intervir na questão substituindo o presidente da Petrobrás por um general do Exército. Por quê? Ora, inflacionar o preço da gasolina desta forma é algo que, apesar de garantir lucro para os acionistas e dinheiro para os cofres públicos, acaba penalizando os menos favorecidos, aqueles que não têm, não podem ou não sabem. Ou seja, é uma forma de transferir recursos dos pequenos para os grandes. Mais uma. E não é à toa que a mudança na presidência da estatal está provocando toda essa reação do mercado financeiro e dos setores progressistas; justamente aqueles que estavam fazendo dinheiro na época em que, enquanto o povão consumia como se não houvesse amanhã e ignoravam os juros da taxa Selic, eles investiam no Tesouro Direto e viam suas fortunas crescerem graças às maravilhas dos juros altos da renda fixa. Não lembra? Teve até mulher de ex-presidente que virou milionária “só vendendo Avon”; mas isso já é outro assunto.

Por outro lado, você certamente pode dizer que a queda nas ações da Petrobrás e sua consequente perda de valor de mercado devem-se ao fato dos acionistas estarem agora vendendo suas ações com receio de que a interferência do governo os faça perder capital ou fazer seu dinheiro render menos. É justo pensar assim, e provavelmente seja a explicação mais lógica, mas a pergunta que me incomoda é: por que a esquerda está se opondo? As críticas, por parte dos liberais, são óbvias, mas se uma possível intervenção nos preços dos combustíveis representa uma medida que beneficiaria os pequenos em detrimento do chamado grande capital, então por que a grita dos inteligentinhos? Se você tem uma resposta, comente aí.

Mas enfim, se o governo pode intervir na política de preços da empresa e segurá-los artificialmente para beneficiar determinados setores, como o de transporte de cargas, isso não significaria que, pelo menos em tese, a sua não interferência possibilitaria que uma alta artificial dos preços poderia ser criada para beneficiar determinados setores, como o das carteiras de pagamento digital? Como eu disse, é tudo viagem de um passador de pano.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Um general na Petrobrás contra o Bonde dos Inocentes

Foto: Wikimedia Commons

Aqueles que ficam chocados com a nomeação de um general para presidir a Petrobrás devem ignorar o fato de que o primeiro presidente da estatal foi um general; além disso, vários outros presidentes da República nomearam generais para chefiar a companhia, inclusive JK.

Mas já que o assunto está em voga, que tal relembrarmos quem foram as figuras que estiveram no comando da Petrobrás durante os governos do PT? Confiram um pequeno resumo:

José Eduardo Dutra - jan/2003 a jul/2005
Falecido em 2015, foi presidente do PT de 2010 a 2011 e esteve no comando da Petrobrás durante o período em que encher um tanque com 40 L de gasolina representava 1/3 do salário mínimo, ou 33% da renda do trabalhador.

Sergio Gabrielli  - jul/2005 a fev/2012
Considerado responsável por um dos maiores prejuízos da história da Petrobras e alvo de ação do Ministério Público por improbidade administrativa, foi condenado pelo TCU, em agosto de 2017, pelo envolvimento na compra da segunda metade da refinaria de Pasadena, nos EUA.

Graça Foster - fev/2012 a fev/2015
Sua gestão da estatal foi marcada por grandes escândalos de corrupção, acúmulos de resultados negativos, aumento no endividamento da empresa e significativa queda no valor de mercado da petroleira (de R$330 bilhões para R$110 bilhões).

Aldemir Bendine - fev/2015 a mai/2016
Nomeado por Dilma após Graça Foster renunciar ao cargo em decorrência dos desdobramentos da Operação Lava Jato, que levaram à investigação de funcionários de alto escalão acusados de corrupção, foi preso em julho de 2017 e condenado em março de 2018, em primeira instância, a 11 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro; solto em abril de 2019, teve sua condenação anulada pelo STF, mas foi novamente condenado, em maio de 2020, a seis anos e oito meses de prisão pelo crime de corrupção passiva.

Como podemos ver, só gente boa nesse bonde, mas o que mais chama a atenção é a evolução da picaretagem com o passar dos anos.

Quanto ao general Joaquim Silva e Luna, ainda não sabemos como será o seu trabalho à frente da Petrobrás, mas a julgar pelo bom trabalho realizado à frente da Itaipu Binacional, temos motivos para ficar confiantes.




domingo, 21 de fevereiro de 2021

Caso Daniel: Somos 70% pela censura?


Analisando todo esse fuzuê envolvendo o caso do Dep. Daniel Silveira, preso por força de um inédito ‘mandado de prisão em flagrante’, é até difícil, para mim, falar sobre esse episódio sem ficar com medo de dizer o que penso. Exagero? Ora, se prenderam um parlamentar — que supostamente teria imunidade para ‘parlar’ — por causa de palavras ditas por ele, ainda que chulas e ofensivas, que garantias tenho eu de que a minha liberdade de expressão estará sendo preservada?

Enfim, falar que a prisão foi ilegal é chover no molhado; qualquer um com capacidade de entendimento e honestidade intelectual é capaz de perceber isso, mas o que assusta é que existe uma parcela significativa da sociedade que não consegue entender, ou o que é pior, prefere ignorar o que está em jogo para tratar do assunto sempre a partir da figura criminosa do deputado e nunca a partir do ato arbitrário do STF.

Ora, se alguém considera normal que um deputado seja preso por crime de opinião, então admite viver sob um regime de exceção, e se acha que o parlamentar merecia mesmo ser preso, então apoia esse regime. 

Assim, baseado nesse raciocínio, e a partir do resultado da votação na Câmara — que manteve o Daniel na cova dos urubus — podemos imaginar que o número de deputados que votaram a favor da suprema ilegalidade representa a fração do parlamento que estaria agora oficializando a tirania da nossa Corte Constitucional: 364/513, ou seja, 70% da Câmara.

Setenta por cento? Acho que já vi esse número antes.

Em meados de 2020, ganhou força nas redes sociais um movimento que supostamente representava a parcela da população que seria a favor da democracia: o ‘Somos 70%’. Para quem não lembra, foi um engodo criado a partir de uma pesquisa que apontou que 33% da população considerava o governo Bolsonaro bom ou ótimo, e isso no mês de maio, no auge da pandemia. Então o que fizeram os inteligentinhos? Somaram os outros percentuais da pesquisa, inclusive os 22% que consideravam o governo regular, e arredondaram o total para cima. O passo seguinte foi criar a hashtag "Somos70porcento" e dizer que esta era a porcentagem da população que defendia a democracia, já que a outra fatia seria a dos apoiadores do ditador, genocida, defensor de tortura, carinhosamente apelidado de Bozo — tamanha a sua periculosidade. Entendeu?

No entanto, assim como o total de 70% do movimento fake foi criado de forma errônea, podemos também concluir que o percentual de 70% na Câmara não reflete exatamente a realidade, pois não podemos taxá-los todos de defensores da ditadura togada apenas por terem arregado nesse episódio. Votar pela prisão de um colega não é praxe no Congresso, pelo contrário, mas quando a questão envolve contrariar ou não a vontade dos Onze, aí a conversa é outra. Ou seja, alguns ali votaram a favor da manutenção da prisão do deputado não porque estariam apoiando a ilegalidade do Supremo, mas talvez por medo (rabo preso), ignorância ou covardia.

O fato é que, nessa votação, o scanner da democracia apontou 364 peças defeituosas precisando de conserto ou substituição no nosso parlamento. O serviço de reparo será em 2022; fique atento.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

O carnaval da carestia e a fantasia de gasolina barata do governo Lula

Após os sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis, ultimamente, o que mais temos ouvido falar é que está caro demais abastecer o veículo. Isso é verdade, mas o quão cara está a gasolina? Para ter uma noção, e a fim de simplificar o cálculo, imagine que o combustível estivesse sendo vendido hoje a R$ 5,50 o litro; assim, um tanque de 40 L custaria R$ 220,00, ou seja, 20% do salário mínimo. Pesado, não? Mas na época do Brasil Maravilha, com o litro a R$ 2,50, esse mesmo tanque custaria apenas R$ 100,00. E aí, ficou com saudades? O problema é que, em fevereiro de 2006, com o salário mínimo a míseros 300 reais, encher o tanque representava 33% da renda do trabalhador, ou 1/3 do seu salário. "Cuma?". 

Para entendermos melhor, vejamos daqui pra frente quantos litros de gasolina dava para comprar com o valor do salário mínimo nos últimos 19 anos.

Em 2003, no início do governo petista, a quantidade de gasolina que dava para comprar com o salário mínimo de R$ 200,00 não chegava a 93 L, algo ridículo e impensável para dias de hoje; mas isso porque o litro passou a custar R$ 2,16 graças ao chamado 'efeito Lula', que provocou uma repentina alta nos preços, pois às vésperas das eleições de 2002, o mesmo salário de 200 reais comprava 114 L do combustível, o que não deixa de ser irrisório. Assim, após dois anos do PT no governo, com o litro da gasolina a R$ 2,27, o salário mínimo de 260 reais voltava a comprar os mesmos 114 litros da gestão anterior — apesar de ter havido uma melhora nesse meio-tempo. 

Então vieram as intervenções na Petrobrás, e em 2006, ao final do primeiro governo petista, o salário de 350 reais já comprava cerca de 138 L de gasolina, e em 2010, ao final do segundo mandato, graças à política de preços que segurou os aumentos e manteve o litro do combustível aproximadamente entre R$ 2,50 e R$ 2,60, o Mínimo de 510 reais agora podia comprar 196 L do combustível. Wow!!! Isso era mais do que o dobro, o que poderia dar errado?

Veio então o governo da presidenta, que mantendo a mesma política intervencionista e segurando os aumentos como podia, fez a gasolina chegar às eleições de 2014 abaixo dos R$ 3,00 e concluiu seu primeiro reinado vendo seus súditos comprarem incríveis 239 L de gasolina com o salário mínimo de 724 reais. O país da propaganda do PT parecia ser real, mas tudo tem seu preço. Com o fim do represamento dos preços e a recessão que adveio com a façanha da reeleição da Dilmãe, veio também a tentativa de consertar as coisas com “Ideias Novas”, e já no final de 2015, o Mínimo de 788 reais agora só dava para 217 L do precioso, uma redução de 22 litros em apenas um ano do “Governo Novo” da Mulher Sapiens. Que coisa!

Após o estelionato eleitoral e a queda da inocenta, vejamos como fecharam os anos seguintes, isto é, como ficou o poder de compra do salário mínimo em relação à gasolina:

2016: 880 / 3,75 = 234 L (Primeiro, a gente tira a Dilma)
2017: 937 / 4,09 = 229 L (Tem que manter isso aí, viu?)
2018: 954 / 4,34 = 219 L (Greve dos caminhoneiros)
2019: 998 / 4,55 = 219 L (Amazônia em chamas)
2020: 1045 / 4,49 = 227 L (Fique em casa!)

Hoje, com o preço do litro em R$ 5,25, em média, o Mínimo de 1100 reais está comprando 209 L de gasolina, o que representa 17 litros a menos em relação a 2020. Mas será que é normal essa redução após as eleições? Trataremos disso depois. Por ora, vimos que, em relação à gasolina, o poder de compra do salário mínimo está hoje inferior ao pior momento da gerentona, mas superior ao melhor momento do homem de nove dedos. E sabe o que mais? A gasolina, que com descontos pode ser comprada abaixo dos 5 reais, não custa os R$ 5,50 que apontei lá no início. Pelo menos, ainda não.



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Rainha da vacina

Vídeo emocionado, foto com a bandeira do RN junto à carga de vacinas, close com frasquinho na mão... nossa governadora tentou a todo custo usar o início da vacinação contra a Covid-19 para melhorar sua popularidade. Mas se quem compra é o governo federal e quem aplica são os municípios, qual seria o papel do estado nesse esforço para imunizar a população? Quero crer que não seria o de apenas transportar as vacinas do aeroporto até os municípios. Porque se for só isso, a governadora estaria tentando se promover oferecendo um serviço que prevê a perda de 5% das doses, ou seja, previsão de 4 mil doses perdidas numa remessa de 80 mil. Não faz sentido, deve ter alguma coisa a mais que justifique a ideia de transformá-la na "rainha da vacina". O que seria?