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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Exercite a sua fé

Sabemos que muita gente tem no culto de domingo o único momento em que lê a Palavra de Deus e tem um instante de intimidade com o Senhor. Mas enquanto muitos negligenciam a Bíblia, multidões estão sedentas das palavras de vida e esperança que ela contém. Precisamos lembrar que Cristo nos deixou para uma vida transformada, para que, refletindo e nos alimentando continuamente da Palavra, coloquemo-nos a serviço do Seu Reino. A Bíblia contém vida e transformação, mas esse poder não está no papel; está na mensagem ali presente, a qual precisa ser digerida e exercitada.



domingo, 26 de abril de 2020

O Poço


Depois de algumas recomendações, resolvi assistir O Poço, um filme de terror, original da Netflix, que tem provocado muito debate na internet acerca da problemática social abordada durante toda a exibição do longa. Aqui, deixo minha humilde opinião e tentarei não dar maiores informações para não estragar a “diversão” daqueles que ainda não o assistiram, também não me pegarei a detalhes técnicos ou inconsistências no roteiro; afinal, trata-se de uma ficção e, como tal, certos pormenores não precisam fazer muito sentido.

Pois bem, o poço é basicamente uma prisão vertical, aparentemente subterrânea, que desce centenas de andares, sendo uma cela por andar, cada uma ocupada por duas pessoas. A dinâmica toda gira em torno da necessidade de alimentação; como a comida desce de cima para baixo, aqueles que ocupam os andares superiores se banqueteiam enquanto os de baixo vão ficando com as sobras, ou seja, quanto mais profundo o nível da cela, menores são as chances de chegar alguma comida até lá. Com isso, não demora muito para percebermos o que acontece quando as pessoas são lançadas em níveis profundos onde a comida raramente chega, ou nunca chega; suicídios, assassinatos, canibalismo e uma série de atrocidades afloram das pessoas desesperadas para sobreviverem ou para porem um fim ao sofrimento. O interessante é que, assim como ninguém escolhe em que nível social irá nascer, as pessoas no poço são colocadas em andares aleatórios onde deverão passar o período de um mês; terminados os 30 dias, há uma nova redistribuição e as pessoas são colocadas mais acima ou mais abaixo, sempre de forma aleatória, até que cumpram todos os meses de permanência no Centro Vertical de Autogestão, o poço.

É claro que se cada um comesse apenas um pouco, as chances de todos seriam maiores, podendo até mesmo a comida ser suficiente para alimentar todos os níveis, ainda que de forma muito precária, mas considerando que ela é distribuída apenas uma vez por dia, sem possibilidade de guardar um pouco para depois, as chances dessa estratégia dar certo são mínimas, ainda mais porque as pessoas não sabem exatamente quantos níveis existem; além disso, depois de passarem fome e desespero em níveis inferiores, elas tendem a ativar seus instintos de sobrevivência e tudo que conseguem pensar é em viver mais um dia; por conta disso, quando conseguem sair da escassez para a fartura, ou mesmo para um nível intermediário, aproveitam para comer o máximo que podem sem se importarem com aqueles que inevitavelmente ficarão sem comida, afinal ninguém se preocupou com eles quando tiveram que enfrentar a fome.

Ou seja, para que ninguém ficasse sem comida no poço, seria necessário que houvesse uma solidariedade espontânea de todos, e cada um pensasse mais nos outros do que em si mesmo, o que é praticamente impossível, pois apesar de alguns afirmarem que o homem é essencialmente bom e torna-se mau por ser produto do meio em que vive (a sociedade), a realidade mostra que a sociedade é cruel porque é constituída de pessoas cruéis em sua essência. Gula, avareza, ira, inveja são intrínseco do ser humano e facilmente identificados no filme.

Enfim, muita gente tem falado sobre uma suposta mensagem passada pela alegoria do poço; e apesar do próprio filme enfatizar isso, que há uma mensagem ali, ela não é clara — até mesmo porque se trata de um terror — de forma que o filme se presta muito mais para chocar as pessoas do que para transmitir algo. Contudo, há sim diversas referências e citações relacionando-o a questões sociais, literárias e religiosas, mas o interessante é que cada um tire suas conclusões. De minha parte, afirmo que o final fica em aberto justamente porque não há nenhuma garantia de que as ações humanas, por mais bem intencionadas que sejam, poderão ser capazes de subverter o sistema, pois este, quando muda, apenas troca uma forma de opressão por outra.

PS: o filme é perturbador e desaconselhado para pessoas sensíveis. Caso decida assisti-lo, evite fazer isso antes de ir dormir.

terça-feira, 24 de março de 2020

Coronavírus: Estamos mesmo no caminho certo?


Estamos diante de um período de incertezas no qual assistimos atônitos aos governos do mundo adotarem medidas draconianas de controle social e interferência direta na economia e no setor privado. Medidas de contenção à disseminação do Coronavírus têm fechado não somente escolas, clubes e igrejas, mas interrompido o comércio, a indústria e até a livre circulação de pessoas. O impacto que tais medidas terão na população é uma grande incógnita; problemas associados à isso, como transtornos psicológicos, traumas, suicídios, etc., num momento próximo, poderão representar um problema tão grande quanto o Covid-19, e, por enquanto, resta-nos manter a confiança em Deus e cuidarmos de nós mesmos e de nossas famílias, pois, como podemos ver, as autoridades locais apenas fingem que sabem o que estão fazendo enquanto atuam como déspotas ao som dos tambores da mídia. 

E tudo isso pra quê? "Achatar a curva"; a ideia de evitar uma sobrecarga no sistema de saúde foi amplamente divulgada pela mídia e em pouco tempo todos nós passamos a carregar na mente a imagem visual do que isso representa, um achatamento gráfico que mantém o número de casos dentro do limite máximo de atendimento do sistema de saúde, em contraste com o pico de casos que extrapolam em muito a capacidade de atendimento e gera milhares de mortes em pouco tempo. Contudo, achatar a curva significa manter os hospitais sobrecarregados por um longo período; e há um fator humano aí, as pessoas que trabalham nos centros de atendimento médico e poderão simplesmente não suportar todo esse stress. Além disso, outras doenças e urgências precisarão de atendimento: derrames, infartos, infecções, etc. Males que matam tanto ou mais que o Coronavírus, ou seja, tudo é incerteza, e o fato é que o tal achatamento pode até piorar a situação provocando ainda mais mortes. 

É preciso levar em conta que, considerando toda a população, em todas as faixas etárias, há uma estimativa de que a taxa de letalidade do SARS-CoV-2 seja de menos de 1%, ou seja, se essa taxa estiver correta, trancar o mundo pode ter conseqüências sociais e financeiras potencialmente desastrosas e pode ser totalmente irracional. É como um touro sendo atacado por abelhas; amedrontado e tentando se livrar do enxame, ele corre em direção a um penhasco… e morre.

Torcemos para que o pior não advenha e que o isolamento social funcione de acordo com a teoria em que se propõe; sem danos maiores  à população e possibilidade de rápida retomada da economia, mas entendemos que depositar todos os ovos numa única cesta dificilmente (ou nunca) será uma boa estratégia.

Baseado no artigo A fiasco in the making? As the coronavirus pandemic takes hold, we are making decisions without reliable data.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Conversão: Transformação e Testemunho


Antes, éramos inimigos de Deus, governados pelo ego e entregues à nossa própria vontade, mas agora, em Cristo, somos novas criaturas; as coisas velhas já passaram, não importam mais, pois Jesus tem nos dado vida nova, e isto provém de Deus. A conversão é algo que deve acontecer pois é o que o evangelho faz na vida do ser humano: transformação. O evangelho restaura o homem fazendo-o andar em novidade de vida, evidenciando, assim, a ação de Deus em favor daquele que se dirige para Ele.

Para tanto, precisamos entender que não é uma ação humana que fará as pessoas se converterem; é a Palavra. “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” (Ap 3:20). A decisão de se arrepender e se converter recai sobre todos, e Deus contempla isso em cada um de nós, ou seja, há um ato na decisão de crer e aceitar; uma ação humana, pessoal e demonstrável. Desta forma, o crer não depende do pregador ou da pregação, mas é a partir do ouvir da Palavra e mediante a ação do Espírito Santo que as pessoas se convencem e se convertem a Cristo. Por isso que há pessoas que podem ouvir a melhor mensagem, escutar o melhor apelo, que ainda assim farão ouvidos moucos. 

Contudo, a questão não se concentra no crer — o diabo crê em Deus — mas na conversão. Vivemos uma época caracterizada pela crença fácil, onde muitos esperam poder andar com Deus e de braços dados com o mundo; uma espécie de evangelho adaptado. Todavia: “Não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus?” (Tg 4:4). Por essa razão, há muitos que carregam o nome de cristão, mas longe de serem convertidos; outros que até se dizem crentes, mas por não viverem de forma compatível, se recusam a serem batizados.

Eis, pois, o alerta: não devemos acreditar em nenhum evangelho sendo pregado dissociado da conversão e da transformação de vida. Como já vimos, a conversão se traduz em atos, e como tal, pode ser demonstrada, mas nem sempre as mãos para cima, os olhos fechados e a presença cativa na igreja são sinais conexão com Deus, comunhão e conversão; a verdadeira demonstração de fé não é aquela que se apresenta à luz do templo e sob os olhos do pastor, mas a que brilha em meio à escuridão do mundo e expressa suas ações em testemunho do Pai.

Baseado no sermão do Pr. Antônio Tadeu: A Conversão e Suas Evidências.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Cuidado com a ira


Deus, sendo Deus, é um Deus que se ira; mas e quanto nós, podemos nos irar? Vejamos, se o próprio Deus se ira, então a ira, por si só, não é uma emoção má; contudo, por sua complexidade, exige uma inteligência emocional da qual a grande maioria das pessoas está a anos-luz de alcançar, especialmente os mais inexperientes. Além disso, temos menos o direito de nos irarmos do que o dever de expressar os frutos do espírito. Isso significa que além de cultivarmos o amor, a bondade, longanimidade, mansidão, domínio próprio, etc., ainda precisamos examinar a fundo as nossas intenções para que essa ira não seja motivada por sentimentos de egoísmo, interesse ou extravagância.

Então, a resposta é sim, podemos nos irar, mas “irai-vos e não pequeis” (Ef 4:26). A ira que nos convém é aquela que ocorre à semelhança da ira de Deus — tardia, momentânea, justa, em amor — ou seja, o problema não está na ira em si, mas na motivação, no propósito, na duração, nas consequências, etc. A ira nos é permitida, mas por ser um sentimento difícil de se lidar, deve ser evitada tanto quanto possível, mas caso ocorra, deve estar focada naquilo que é justo e honrado, levantando-se contra injustiças e opressões, em defesa de pessoas e não contra elas. Desta forma, poderemos nos encontrar irados, mas não violentos; indignados, mas de forma alguma cruéis; confrontadores, mas nem por isso destruidores. 

Como podemos ver, a ira é algo que demanda maturidade, sabedoria, discernimento, autocontrole... e, pensando bem, é complicado. Talvez seja mais fácil oferecer a outra face ao inimigo do que lidar com a ira de maneira correta. Jesus foi vítima de pessoas iradas que, de tanto ódio, desejavam matá-lo. Ele sabia o intento dos seus corações, mas o que Jesus fez contra aquelas pessoas? Tão somente confrontou-os com a verdade e, ao invés de revidar na mesma moeda, demonstrou como pagar o mal com o bem. Na dúvida, Romanos 12:17-21 tem a resposta: não retribua o mal com o mal; faça o que é verdadeiramente correto; procure viver em paz com todos; não busque vingança; deixe a ira com Deus; e se o seu inimigo estiver faminto, alimente-o; se tiver sede, dê-lhe de beber. “Fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a cabeça dele, e o Senhor te recompensará”. Em resumo: Não se deixe vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Ânimo e Esperança


Muitas vezes as tribulações, os conflitos e as lutas diárias que enfrentamos podem nos deixar abatidos e desanimados. Todos nós estamos sujeitos a isso. Afrontados pelo gigante Golias, os homens do exército de Israel estavam desestimulados, assustados e com medo, mas Davi chegou a eles com fé e coragem, transmitindo-lhes ânimo e esperança: "Vocês estão com medo? Pois eu mostrarei a esse filisteu que há Deus em Israel.” A vitória de Davi sobre Golias nos dá uma excelente lição; mostra-nos que precisamos manter o ânimo e não nos deixar abater ante os desafios que surgem, por mais que pareçam gigantes.

Uma dica para vencer o desânimo é procurar cercar-se de pessoas animadas, de gente que não murmura e não vive se queixando. Quando nos cercamos de pessoas alegres, prontas para fazer e dispostas a cooperar, somos envolvidos por uma aura de ânimo que nos contagia e nos impulsiona. Muitas tarefas que nos são apresentadas dependem menos da ajuda de Deus do que do nosso próprio estado de animação. "Não te mandei eu? Então esforça-te e tem bom ânimo". Deus não chama gente desanimada; Ele nos anima e nos chama. Na caverna, Elias foi visitado pelo Espírito de Deus que o inquiriu: "O que você está fazendo aqui?". Podemos às vezes nos encontrar esmorecidos, desanimados, sem querer falar com ninguém, dando-se por vencido e buscando abrigo numa caverna, mas o Senhor quer nos encorajar, nos fortalecer e nos dar ânimo. A caverna não é o nosso lugar: foi para andar na luz que fomos chamados, não na escuridão.

A caverna pode ser um vazio espiritual provocado pela falta de oração e comunhão, uma espécie de depressão espiritual. Fuja dela. Procure se cercar de pessoas alegres e dispostas, e não se furte de alcançar aqueles que estão precisando de ânimo — “Encorajem-se uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama ‘hoje’”.

Baseado na mensagem do pastor Antônio Tadeu, quarta-feira, 29 de janeiro de 2020, na Igreja Batista Fundamentalista. Algumas referências bíblicas: 1Sm 17, 1Re 19:9,15, Js 1:9, Hb 3:13, Is 40:28-31

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Desistência x Perseverança


Por mais proativa e determinada que seja uma pessoa, é muito provável que ela já tenha se deparado com situações que a fizeram desistir de projetos que dantes pretendia realizar com tanta vontade. Na vida cristã, servir a Deus quando tudo está bem e as condições são favoráveis, pode até ser considerado fácil, mas sabemos que determinadas circunstâncias podem nos fazer pensar em desistir — e não raro desistimos. Diante dos infortúnios, e a menos que você tenha a firmeza de Jó, é claro que estaremos sujeitos a esmorecer na fé, perder o ânimo de ir à igreja, se esquivar da obra do Senhor, e por aí vai, em maior ou menor grau.

Contudo, estamos numa carreira na qual os vencedores são aqueles que perseveraram até o final, de acordo com as regras que lhes são impostas. Por outro lado, nossa vida não é como uma estrada reta que sobe continuamente; assemelha-se mais a uma linha curva que, entre altos e baixos, procuramos mantê-la ascendente. O “segredo” está em conseguir enxergar em cada descida uma oportunidade para impulsionar a próxima subida. As provações podem muitas vezes nos abater, mas jamais nos destruir, e se a fé é genuína, as provas servirão para produzir em nós o dom da perseverança.

Ora, ser perseverante é ser constante; é manter-se firme e não desistir, mas convenhamos: nem toda desistência é ruim. Desistir de projetos vazios que nos remetem tão somente à eterna insatisfação humana, renunciar o governo do ego ou abrir mão das coisas do mundo, por exemplo, são atitudes ligadas ao processo de conversão e são de extrema valia. Mas se falta-nos a perseverança naquilo que é essencial em nossas vidas, como na oração, na Palavra, na doutrina, no exercício da piedade, etc., ou seja, quando torna-se comum desistirmos daquilo que é importante, talvez seja porque falte em nós, antes de tudo, a consciência de que devemos padecer para podermos nos fortificar, ou como diria meu avô, “precisa apanhar pra criar marra”.

As provas nos colocam em situações difíceis, mas muitas das aflições que experimentamos são apenas consequências das atitudes e escolhas erradas que fazemos. Então, “que nenhum de vós padeça pelo pecado, mas pelas provas que vos são impostas".

Baseado no sermão do pastor Antônio Tadeu: O Desafio da Perseverança (19/01/2020). Referências bíblicas: Hb 12:1, 2Tm 2:3-5, Fp 3:13-14,  Rm 5:3-5, 1Pe 4:14-16

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

O propósito da vida é servir


Não sei se você sabe, mas a essência da nossa existência está no propósito de glorificar a Deus. Devemos louvar e adorar o nome do Senhor dando-Lhe a primazia de tudo que fazemos — em espírito e em verdade — servindo a Deus com alegria, firmeza e dedicação; não assistindo, mas prestando culto ao Senhor.

Ser crente não é adquirir um ingresso para deleitar-se em um espetáculo, é alistar-se para servir em uma missão. A caminhada é árdua e a tarefa não é fácil, por isso é que precisamos aprender o caminho da perseverança, pois críticas virão de todos os lados; conflitos, desentendimentos, contrariedades e muitas outras situações surgirão justamente com o objetivo de nos fazer desistir. Contudo, somos exortados a permanecermos firmes e constantes na obra do Senhor, e para tanto, é vital, urgente, indispensável desenvolver em nós um coração de servo. Isso significa que devemos buscar forças em Deus, nos dispor para servir e considerar os outros superiores a nós mesmos. A chave para perseverar nesse propósito está na humildade.

A falta de firmeza nos impede de alcançar metas e nos incapacita de seguir pelo caminho estreito, mas às vezes, tudo que precisamos é insistir um pouco mais e suportar as adversidades para assim endurecermos o pescoço; ou você acha que logo após se alistar o soldado já está pronto para a batalha?

Isaías 43:7, 1 Coríntios 10:31, João 4:23,24, 1 Coríntios 15:58, 2 Timóteo 2:3-5, Romanos 5:3-5, Mateus 23:11‭-‬12, Filipenses 2:3,4, Mateus 7:13,14

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

A musculação e o exercício da fé cristã


Percebendo minha queda de rendimento na academia, em relação às cargas e repetições que antes eu fazia e que agora consigo fazer após quase um mês parado, me ocorreu que coisa semelhante pode acontecer na nossa vida cristã. Pois a fé é o nosso alimento, mas a oração e a prática do bem são nossos exercícios; desta forma, por mais forte espiritualmente que você possa se imaginar, jamais deve negligenciar a prática desses exercícios espirituais, pois assim como ocorre na atividade física, em pouco tempo você também acaba enfraquecendo.

Quando começamos a fazer musculação, é comum nos observarmos no espelho e nos admirarmos com pequenas mudanças que ocorrem no nosso corpo — quem nada tem, se espanta logo com o pouco que consegue — o problema consiste quando isso vira um hábito, e aí, qualquer tempo que passamos nos lambendo ou observando detalhes que até então não tinham importância, tal como quem passa um tempão editando uma foto para o Instagram, já é tempo demais jogado fora. Na vida cristã, é comum que o novo convertido se empolgue consigo mesmo e, em pouco tempo, já se ache capaz de pregar a palavra, exortar os irmãos e abrir o Mar Vermelho. É claro que isso tem a ver com a chama do Espírito Santo em sua vida, mas, em parte, acontece também porque o brasileiro, de forma geral, tem uma tendência, quase que uma necessidade, de falar sobre aquilo que deveras desconhece, além disso, vivemos num vácuo moral tão grande que, ao menor sinal de virtude, o cidadão já se acha um baluarte dos valores, capaz de ditar regras e conselhos que fariam inveja a um monge budista.

Mas, enfim, passado algum tempo na academia, o suficiente para não ser mais considerado principiante, o aspirante a Mister Olympia acaba percebendo que a escalada em busca do corpo perfeito não é uma subida constante e em linha reta, mas formada de longos patamares e pequenos aclives que se assemelham a uma escada de degraus extremamente largos e incrivelmente baixos, de forma que o praticante já começa a se questionar se vale a pena caminhar tanto para subir tão pouco. Na igreja, o aprendiz de apóstolo logo percebe que não basta apenas falar do amor de Deus que 3 mil almas se converterão naquele dia, que colado ao seu discurso deve estar o seu exemplo de vida, que suas atitudes falam muito mais do que suas palavras e que isso exige o exercício da piedade. Ou seja, ambos se deparam com o desafio da perseverança.

Por essa razão, há muitos que, impacientes com os poucos resultados obtidos a duras penas, optam pelo atalho dos anabolizantes; os fins justificam os meios, lembra? E se a finalidade do cidadão é ficar bombado, então viva a alegria do agora. De forma semelhante, tem crente que, incomodado com tantas “exigências”, acaba por procurar uma alternativa mais light, um evangelho mais cômodo, uma igreja de gente feliz que não repara na vida alheia... Mas se há algo constante nesta vida, é a insatisfação humana; e alguém que traiu seus princípios à procura da felicidade imediata, facilmente cederá a outras tentações nessa busca incessante cujo caminho é sempre ladeira abaixo.

A musculação, como sabemos, exige paciência e perseverança; deve ser praticada todos os dias e os resultados aparecem a longo prazo. Contudo, por mais tempo que tenhamos na prática desse esporte, se nos tornamos negligentes, perdemos facilmente aquilo que conquistamos com tanto sacrifício, e embora a imagem no espelho às vezes indique que as coisas ainda estão bem, basta tentar fazer 20 flexões de braço para constatar o retrocesso. Orar e fazer o bem são atitudes que demandam também esforço e persistência, mas para quem não tem (ou perdeu) esse hábito, orar por 2 minutos ou passar meia hora visitando doentes num hospital torna-se algo tão penoso quanto fazer 30 segundos de prancha fixa.

É fato que estamos vivendo cada vez mais, e que, com a idade, vamos perdendo massa muscular e óssea, e é exatamente por isso que precisamos nos manter fisicamente ativos. Se após os 70 anos, a vida é só canseira e enfado, muito mais será se não tivermos músculos para dar sustentação a ossos e articulações. Para isso, a musculação é um dos melhores exercícios, mas a menos que queiramos virar atletas profissionais, nossa finalidade deve ser menos com a aparência física do que com a saúde, tal como o crescimento espiritual não deve ser para o nosso engrandecimento pessoal, mas para que assim resplandeça a luz de Cristo através de nós, para que Ele cresça e a gente diminua.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Cordel do Compromisso

No culto deste domingo
Assim disse o pastor
Que a vida com Jesus
Requer compromisso e amor,
E pra não olhar pra trás,
Avalie se é capaz
Daquilo a que se propor.

Porque quando Deus nos chama
Chama para o seu serviço,
Tarefa não vai faltar
Para quem dispor-se a isso,
Mas quando o assunto é trabalho,
Muitos procuram um atalho
Pra fugir do compromisso.

Tem crente que por aí
Diz que é servo de Deus,
Mas serve coisa nenhuma,
Só aos propósitos seus.
Não quer saber de aperreio,
Só vai na igreja a passeio
E se lhe contrariar, adeus.

“Lázaro não era apóstolo,
Mas de Jesus era amigo.
Cargo não está com nada,
Intimidade é comigo.”
Mas na igreja ele não anda,
Não faz o que Jesus manda
E só olha pro próprio umbigo.

Seguir a Cristo é renúncia,
Compromisso e serventia,
É negar-se a si mesmo,
Tomar sua cruz todo dia
E dispor-se a cooperar
Para o Reino expressar,
Trabalhando com alegria.

Anunciar o evangelho,
Essa é a nossa missão,
Pra isso fomos chamados,
Tirados da escuridão
Para brilhar como luz
As virtudes de Jesus
Com palavras e ação.

Pois discurso só não basta,
É preciso demonstrar
Expressando boas obras
E a Cristo testificar
Pra que Deus seja louvado
E Seu nome glorificado,
Pois a todos quer salvar.

Quem é crente vai pra igreja
E nela sente prazer,
Participa ativamente
E procura se envolver,
Se entra em um ministério
É com o compromisso sério
De trabalhar e crescer.

Comunhão sem compromisso
Com Deus é hipocrisia,
Pois é na edificação
Uns com os outros, todo dia,
Que crescemos no Senhor,
Gratos pelo seu amor
Que nos sustenta e nos guia.

Então que brilhe a sua luz
Na congregação dos santos,
Na escola, no trabalho,
Em casa e em todos os cantos,
E mantendo-se em vigília,
Salve em Deus sua família
E ilumine a outros tantos.

sábado, 17 de agosto de 2019

Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus

O bom de crer em Deus e confiar no Senhor é que mesmo quando tudo o que você planejou dá errado, você encontra conforto com o pensamento de que as coisas não deram certo porque não tinham de dar, porque aquilo não era da vontade de Deus, e assim sente-se agradecido tanto nas conquistas quanto nos fracassos, graças à convicção de que tudo ocorre para o seu próprio bem. 

sábado, 24 de dezembro de 2016

A vida é cheia de dúvidas

 Com quem vou deixar meu gato?

... 

Com quem vou filho meu filho?

... 

Com quem vou deixar minha mãe?

... 

Com quem vocês vão me deixar?