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domingo, 9 de maio de 2021

Esqueminha no supermercado

Ultimamente, quando vou ao Big Bompreço ou ao Maxxi, costumo estacionar lá longe, entre as últimas vagas do estacionamento; assim eu faço uma caminhadinha e pego um pouco de sol. Outro dia, por volta de meio-dia e meia, estava retornando para a moto quando me surpreendi com dois carros parados ao lado de onde eu havia estacionado. "Oxe, por que esses carros foram parar ali, ainda mais no sol?" Era um Corolla e uma Amarok. Chegando mais perto, percebi que havia alguém na caminhonete; o vidro era escuro, só dava pra ver uma silhueta masculina e as mãos ao volante. "Rapaz, isso é alguma marmota", mas continuei me aproximando. Então a porta do Corolla se abriu e uma moça saiu do sedã e entrou na pick-up. Rapidamente, desviei o olhar e fingi estar arrumando as compras. A ficha havia caído. O motorista deu ré, contornou o estacionamento e seguiram rumo à felicidade. O Corolla ficou para trás.


segunda-feira, 22 de março de 2021

Estranho jeito de salvar vidas

Tratamento precoce diminui o número de internações?
Campanha contra o tratamento precoce.

Exposição ao sol fortalece o sistema imunológico e diminui o número de internações?
Fechem as praias e os parques, cancelem o domingo, todo mundo pra dentro de casa!

Exercícios físicos diminuem o número de internações?
Proíbam as academias!



sábado, 6 de março de 2021

O silêncio das rãs

Creative Commons Image

Por todo o Brasil, a última semana de fevereiro e a primeira semana de março foram marcadas por uma série de decretos governamentais que, cada vez mais rígidos, têm provocado apreensão e dividido opiniões. No Rio Grande do Norte, não sei se vocês repararam, mas a governadora não decretou as novas medidas restritivas sem antes anunciar a abertura de novos leitos pelo estado. "Durante os próximos 15 dias estão previstos mais 29 novos leitos Covid19 em Mossoró: sendo 10 leitos UTI no HSL, 16 leitos clínicos no HRF e mais 1 leito UTI e 2 semicríticos no HRTM", informou a propaganda governamental um dia antes da publicação do decreto 30.388 de 05 de março de 2021.

Tá, mas e daí? Como a ampliação do toque de recolher e a restrição às atividades sociais e econômicas — ditas não essenciais — não surtirão o efeito (supostamente) esperado, o número de casos da doença continuará a crescer, e, encerrados os doze dias de sua vigência, aquilo que deveria ser o fim das medidas mais restritivas acabará por se transformar em um novo decreto com medidas ainda mais restritivas. Para tanto, a alegação do governo será a de que, mesmo com a ampliação da capacidade de atendimento, o sistema voltou a colapsar. Basta lembrar que o vice-governador afirmou nesta semana que abrir leitos no estado é o mesmo “enxugar gelo”.

Mas o que nos leva a apostar no recrudescimento das regras, além da pouca eficácia do toque de recolher, é o fato de que, diferente do que aconteceu em 2020, quando prefeitos e governadores fecharam tudo de forma brusca e saíram prendendo gente sentada em banco de praça ou caminhando no calçadão, a estratégia para 2021 tem sido a de impor as restrições aos poucos e valer-se do pânico provocado pelo colapso na saúde para ganhar adesão da população às regras impostas, mesmo elas sendo cada vez mais duras.

No Ceará, estado que parece estar servido de inspiração para Fátima, a limitação de circulação de pessoas, que antes era a partir das 22 horas, passou a ser às 20h nos dias de semana e 19h aos sábados e domingos, e agora entrou em período integral com o lockdown rígido de 05 a 18 de março. No RS, que também recebeu restrição de horários na semana anterior, o governador Eduardo Leite usou o dia 05 de março para proibir a venda de produtos não essenciais nos supermercados e vetou a divulgação de promoções "que possam causar aglomeração".

E o que queremos dizer com isso? Que as medidas adotadas nos estados citados acima são prenúncios do que em breve deverá acontecer no RN. Hoje, 06 de março, já recebemos notícias de lotações em bares, lanchonetes, restaurantes, shopping e também nos supermercados. E por que? Ora, o decreto foi publicado ontem, quinto dia útil do mês; e com um dia a menos para sair e menos tempo para aproveitar, estava na cara que a ampliação das restrições de circulação acabaria por provocar mais aglomerações, e não menos.

Enfim, o toque de recolher decretado por Fátima no dia 26 de fevereiro — que pode muito bem ser interpretado como um abuso inconstitucional — foi considerado por muitos como brando demais, incipiente ou pouco efetivo; afinal, o movimento nas ruas após as 22h já é baixíssimo num estado violento como o RN. Ou seja, a impressão que temos é que para os apoiadores da petista, o importante não é exatamente o impacto de suas medidas sobre o vírus, mas o quanto elas podem impactar nas vidas das pessoas e sobre os seus negócios. No entanto, após esse decreto do dia 05, há quem diga que houve um avanço, e a exemplo do que ocorreu nos estados do CE e RS, já consideram a sua ampliação.

A estratégia, como eu disse, é ir cozinhando as rãs aos poucos, em fogo brando; assim elas não se assustam e até gostam. Por falar nisso, aproveite para pedir o seu delivery e relaxar enquanto a água está morninha. 🛀



quinta-feira, 4 de março de 2021

Cozinhando as rãs

Diferente de 2020, quando fecharam tudo de forma brusca e saíram prendendo gente sentada em banco de praça ou caminhando no calçadão, a estratégia dos prefeitos e governadores para 2021 é ir impondo aos poucos (cozinhando as rãs) e usar o pânico para ganhar adesão da população. No Ceará, a limitação de circulação de pessoas, que antes era a partir das 22 horas, passou a ser às 20h nos dias de semana e 19h aos sábados e domingos, agora já está anunciado um lockdown rígido de 14 dias a partir desta sexta-feira (05). Seguindo na esteira de Camilo Santana, é muito provável que Fátima siga o exemplo do colega petista e adote as mesmas (ou piores) medidas restritivas para o RN. Lembrando que em 2020, quando tudo começou, a proposta inicial também era de apenas duas semanas.



segunda-feira, 1 de março de 2021

Toque de recolher: ação das forças de segurança divide opiniões em grupo de WhatsApp

Após a governadora do RN decretar o toque de recolher, medida considerada por muitos juristas como inconstitucional, o assunto viralizou nas redes sociais e foi o tema central dos debates durante o último fim de semana.

No Copinho ANVISA, grupo de WhatsApp formado por especialistas de diversas áreas, do eixo científico-educacional ao setor jurídico-midiático, passando pelo entretenimento adulto e gastronômico, alguns participantes classificaram como exagerada a ação policial que percorreu a cidade na noite de ontem em cumprimento ao decreto da governadora Fátima Bezerra (PT), que restringe a circulação de pessoas no horário das 22h às 5h. "Tem pra que fazer um show desse pra fechar um estabelecimento? Tá mais pra um desfile", comentou um participante; "Mossoró é pequeno, poucos bares funcionam de madrugada, com duas viatura rodando, em 40 minutos fechava tudo", sugeriu outro; e teve até quem fizesse menção ao clássico "um cabo, um soldado e um jipe".

Mas também houve quem discordasse, ou seja, que apoiasse o comboio da repressão estatal; um deles, ligado a um grande veículo de comunicação, alegou que, se o efetivo for pequeno, ao tentar fechar um bar, os PM's "saem de lá apanhando". Ora, pelo que sei, se isso acontecesse, seria a primeira vez. A verdade é que toda essa pirotecnia do tal Pacto Pela Vida nada tem a ver com a segurança dos cidadãos ou dos policiais, mas com marketing pessoal da governadora; tanto é que a mulher não se cansa de exibir esses vídeos no seu Twitter para mostrar que tem comando.

Agora, após assistir à demonstração de força, a pergunta que muita gente tem feito nesses últimos dias é a mesma do jornalista Gustavo Negreiros: por que esse aparato de segurança não é usado todos os dias no combate à criminalidade?



domingo, 28 de fevereiro de 2021

Por que não tivemos toque de recolher antes?

Estadão: Ocupação de leitos para covid-19 atinge 100% em Natal e Mossoró

Em junho de 2020, a ocupação de leitos específicos para o tratamento da Covid-19 atingia a capacidade máxima nas duas maiores cidades do RN. Na matéria do Estadão, consta que apesar de toda a pressão sobre o sistema de saúde, a Sesap não considerava que o estado havia chegado ao pico da doença, ou seja, a expectativa era de que a situação poderia se agravar ainda mais.

Mas o que mais nos chama a atenção é o trecho onde diz que "Mesmo com todos os leitos para o tratamento da doença ocupados nas cidades consideradas epicentros no Estado, o secretário de saúde evita confirmar que o sistema de saúde local está colapsado." Vocês entenderam? Com 100% das UTI's ocupadas nas duas cidades polo, ninguém falava em colapso no sistema de saúde e muito menos em toque de recolher; à época, já haviam substituído o imperativo "Fique em casa!" pelo sugestivo "Se puder, fique em casa." e até já haviam garantido as eleições. 

Mas hoje, com a taxa média de ocupação em 89%, o que mais se ouve falar é que o sistema está colapsado e que o caos provocado pela segunda onda seria a justificativa para a governadora decretar toque de recolher e ameaçar prender quem estiver circulando na rua após o horário permitido. Afinal, é para o nosso próprio bem, e como se diz: "Hay que endurecerse pero sin perder la ternura jamás".


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Educação Financeira: por que não vemos isso na escola?


Vez por outra tenho visto alguns vídeos e memes criticando a escola pelo fato dela não ensinar determinados assuntos práticos, como a educação financeira, por exemplo. É justo questionar isso, mas em primeiro lugar, a crítica não deveria ser dirigida à escola, pois isso é o equivalente a pagar pau com um entregador e não com o fornecedor do produto que não está te satisfazendo; o foco das críticas deveria ser o MEC, pois é lá onde os burocratas da educação determinam o tipo de conhecimento que é ou não disponibilizado aos brasileiros através da escola.

Além disso, Educação Financeira é um assunto do qual a maioria dos professores não têm muito conhecimento teórico, pois não estudaram sobre isso na escola e muito menos na faculdade, e para muitos falta, inclusive, o conhecimento prático — basta ver pela quantidade de professores se lamentando das finanças ou endividados.

O fato é que, se hoje fala-se muito sobre educação financeira, e aos poucos vemos o assunto sendo introduzido na escola (nova BNCC), isso acontece porque as redes sociais, especialmente o YouTube, fizeram o gênio sair da garrafa; muitos conteudistas passaram a tratar desse tema justamente porque perceberam a sua ausência nos bancos escolares, na academia e na sociedade, daí usaram esse fator como forma de atrair o público e ganhar dinheiro com esse conteúdo — não necessariamente visando ajudar os outros a ficarem ricos.

Tá, mas a pergunta é por que o assunto não era tratado na escola? A resposta curta e grossa é “porque o governo não queria”. Se essa resposta é suficiente, pule para o último parágrafo, se não, então "senta que lá vem a história…". 

A principal forma de arrecadação do governo é através de impostos indiretos, aqueles que você paga sem saber que está pagando; esses impostos concentram-se principalmente no consumo, e quanto mais o povo consome, mais o governo arrecada. Nos últimos 20 anos, os governos focaram num tripé macroeconômico que funcionava à base de isenção fiscal para grandes empresas, ampliação do crédito e taxação do consumo; esse foi o motor que, juntamente com o aumento da dívida, impulsionou o crescimento econômico do Brasil durante o período petista — e tudo o que eles não queriam era que você parasse de gastar seu dinheiro comprando coisas e aquecendo a economia para passar a investir no mercado financeiro. 

Mas ainda há muito a ser dito sobre isso, então podemos resumir desta forma: fomos mantidos na ignorância porque a educação financeira era uma espécie de segredo do qual apenas uma elite financeira deveria ter acesso. Basta ver que na época do Brasil Maravilha, enquanto a classe trabalhadora brincava de ser classe média, consumindo e se endividando como se não houvesse amanhã, os ricos aproveitavam os juros da Taxa Selic para investir no Tesouro Direto e fazer suas fortunas crescer graças às maravilhas da renda fixa. Tanto é que, à época, quando se tratava da alta dos juros, os especialistas limitavam-se a dizer apenas que a alta da Selic era uma espécie de remédio amargo para segurar a inflação, mas sem nunca mencionar que aquilo que encarecia o crédito poderia também fazer o seu dinheiro render bem mais do que a poupança. 

Enfim, a bolha da ignorância continua até os dias de hoje, mas é cada vez maior a quantidade de gente escapando dessa Matrix. E acredite, eu queria muito ter acordado dela antes. Contudo, educação financeira não tem muitos segredos, e tudo começa com algo muito simples: poupar. Afinal, "o importante não é exatamente quanto você ganha, mas quanto você é capaz de guardar". Como eu disse, há muito a ser dito e acho que já me estendi bastante, mas uma maneira de começar bem nesse assunto é lendo o livro 'Pai Rico, Pai Pobre', de Robert Kiyosaki, ele vai te fazer pensar e vai colocar mais ideias na sua cabeça do que qualquer aula de educação financeira dada numa sala de aula.


domingo, 21 de fevereiro de 2021

Caso Daniel: Somos 70% pela censura?


Analisando todo esse fuzuê envolvendo o caso do Dep. Daniel Silveira, preso por força de um inédito ‘mandado de prisão em flagrante’, é até difícil, para mim, falar sobre esse episódio sem ficar com medo de dizer o que penso. Exagero? Ora, se prenderam um parlamentar — que supostamente teria imunidade para ‘parlar’ — por causa de palavras ditas por ele, ainda que chulas e ofensivas, que garantias tenho eu de que a minha liberdade de expressão estará sendo preservada?

Enfim, falar que a prisão foi ilegal é chover no molhado; qualquer um com capacidade de entendimento e honestidade intelectual é capaz de perceber isso, mas o que assusta é que existe uma parcela significativa da sociedade que não consegue entender, ou o que é pior, prefere ignorar o que está em jogo para tratar do assunto sempre a partir da figura criminosa do deputado e nunca a partir do ato arbitrário do STF.

Ora, se alguém considera normal que um deputado seja preso por crime de opinião, então admite viver sob um regime de exceção, e se acha que o parlamentar merecia mesmo ser preso, então apoia esse regime. 

Assim, baseado nesse raciocínio, e a partir do resultado da votação na Câmara — que manteve o Daniel na cova dos urubus — podemos imaginar que o número de deputados que votaram a favor da suprema ilegalidade representa a fração do parlamento que estaria agora oficializando a tirania da nossa Corte Constitucional: 364/513, ou seja, 70% da Câmara.

Setenta por cento? Acho que já vi esse número antes.

Em meados de 2020, ganhou força nas redes sociais um movimento que supostamente representava a parcela da população que seria a favor da democracia: o ‘Somos 70%’. Para quem não lembra, foi um engodo criado a partir de uma pesquisa que apontou que 33% da população considerava o governo Bolsonaro bom ou ótimo, e isso no mês de maio, no auge da pandemia. Então o que fizeram os inteligentinhos? Somaram os outros percentuais da pesquisa, inclusive os 22% que consideravam o governo regular, e arredondaram o total para cima. O passo seguinte foi criar a hashtag "Somos70porcento" e dizer que esta era a porcentagem da população que defendia a democracia, já que a outra fatia seria a dos apoiadores do ditador, genocida, defensor de tortura, carinhosamente apelidado de Bozo — tamanha a sua periculosidade. Entendeu?

No entanto, assim como o total de 70% do movimento fake foi criado de forma errônea, podemos também concluir que o percentual de 70% na Câmara não reflete exatamente a realidade, pois não podemos taxá-los todos de defensores da ditadura togada apenas por terem arregado nesse episódio. Votar pela prisão de um colega não é praxe no Congresso, pelo contrário, mas quando a questão envolve contrariar ou não a vontade dos Onze, aí a conversa é outra. Ou seja, alguns ali votaram a favor da manutenção da prisão do deputado não porque estariam apoiando a ilegalidade do Supremo, mas talvez por medo (rabo preso), ignorância ou covardia.

O fato é que, nessa votação, o scanner da democracia apontou 364 peças defeituosas precisando de conserto ou substituição no nosso parlamento. O serviço de reparo será em 2022; fique atento.


sábado, 20 de fevereiro de 2021

O PEÃO DE ACADEMIA


Rapaz, tudo nessa vida é uma questão de moda. Na academia, até um dia desses, a onda era fazer agachamento, supino, leg press... chega era difícil encontrar esses aparelhos disponíveis. Agora, com a febre do crossfit e dos exercícios funcionais, o povo está cada vez mais abandonando as máquinas tradicionais e optando por movimentos que simulam atividades reais do dia a dia, como a labuta diária do trabalhador, por exemplo.

Daí o pessoal fica andando pra lá e pra cá carregando anilhas de 20 kg como fossem baldes de água; colocam peso em apenas um dos lados da barra e ficam movimentando como se estivesse cavando uma cova e jogando a terra pra fora do buraco com uma pá, ou ficam andando e balançando a barra de um lado para o outro como se estivessem cortando capim com uma foice; arremessam uma bola de couro super densa contra uma parede como se estivessem jogando melancias para alguém em cima de um caminhão; sobem e descem degraus carregando fardos de chumbo nos ombros como se fossem sacos de cimento; pisam num step e erguem rapidamente uma anilha acima da cabeça como se fosse uma lata de massa sendo passada para alguém sobre um andaime, e por aí vai, tem até equipamento para simular carrinho de mão — além dos exercícios de preparação trazidos do futebol, boxe, treinamento militar, etc., mas isso já é outro assunto.

Todavia, isso não é para qualquer um; geralmente esse tipo de exercício é monitorado de perto por um personal trainer que, além de prescrever a rotina de serviços, também fica no pé do operário dizendo “bora, vai, força, mais um, isso…” e vez por outra faz umas fotos do peão para ele se animar com o progresso da obra; e tem que incentivar mesmo, afinal o cara está pagando para trabalhar, e a lida é pesada.

Tá, mas por que você acha que isso virou modinha? Ao meu ver, porque esses movimentos estão deixando de ser comuns. Atualmente, não é difícil perceber a relação entre o exercício e a labuta, mas em breve, quando as máquinas dominarem tudo e as pessoas não mais executarem essas tarefas penosas, ninguém vai fazer esse tipo de associação.

Hoje, qualquer um pode pegar uma enxada e ganhar uns trocados capinando um lote, mas no futuro, talvez tenha que pagar para executar essa tarefa, pois o exercício vai estar patenteado, e não é à toa que já estão patenteando.



terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

O hipócrita dedo-duro de aglomeração

23h59: Pode aglomerar, nós não vamos publicar
00h00: Alô polícia, olha os crentes aglomerando

O jornalista que disse que as pessoas tinham o direito de participar de festas, por considerar uma escolha pessoal, foi o primeiro a alardear que havia pessoas participando de uma. Será pelo fato de ser uma festa religiosa? Não sei, mas o mais incrível é a cara de pau do cidadão ao perguntar qual seria a diferença entre a rua principal de Pipa e o Templo Sede da Assembleia de Deus de Mossoró. Ora, se ele não sabe, eu posso mostrar algumas:
  • em apenas um desses locais podiam ser encontradas pessoas se beijando, se abraçando, se pegando (para ficar só nesses exemplos);
  • em apenas uma das festas havia pessoas consumindo drogas, lícitas ou não, e perdendo a razão ou os sentidos;
  • o acesso a apenas um desses ambientes estava condicionado ao uso de máscara, verificação de temperatura e higienização das mãos.
Como podemos ver, a grande diferença está no cumprimento dos protocolos de biossegurança adotados nesta pandemia: a igreja tem feito a parte dela, mas quantos totens com dispenser de álcool em gel existem espalhados pela ruas de Pipa?

Ou seja, colocar um carnaval de rua e um ajuntamento solene como se fossem a mesma coisa, só pode ser burrice, mau-caratismo, ou o mais provável: desejo de aparecer. Assim, ao que tudo indica, trata-se apenas de um hipócrita que, dizendo-se perseguidor de lacradores, quis ele mesmo lacrar em cima dos mimizentos histéricos.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

O BBB do meu ódio


Não importa a cor da pele, o gênero ou a condição social, o Big Brother Brasil tem mostrado que o ódio está em todos e pode sim ser direcionado a todos, ou a todes — TODES — sem distinção. E se você desenvolveu algum sentimento de rancor em relação a um ou mais participantes do BBB, seja de desprezo, ojeriza, ou mesmo frustração, então você caiu na rede. Como? Considere que alguns que estão ali são psico-piii escolhidos a dedo justamente para manipularem não apenas os de dentro da casa, provocando discórdia e mal estar entre eles, mas principalmente os de fora, os telespectadores.

Por motivos óbvios, não citarei nomes, mas tenho visto muitas postagens nas redes sociais expressando ódio dirigido contra várias pessoas do programa: dos participantes ao produtor, passando pela própria emissora e até contra anunciantes. O ódio é o combustível do BBB; ele divide, mas também atrai, provoca, instiga, vicia, e o que é melhor: vende. Pensou que a serpente estava morta, né, minha filha? 

Mas não é só o ódio que está na moda, a idolatria também tem aflorado nas pessoas, e o ídolo definitivamente não precisa (nem deve) ser um santo, basta ser uma celebridade nacional que expresse o mesmo ódio em comum; mas isto já é outro assunto. 

O fato é que não é de hoje que as massas são instigadas ao ódio coletivo, basta lembrar que Jesus foi crucificado não porque o povo amava Barrabás, mas porque foram tomados pela histeria contra aquele que ousou se apresentar como o Messias — o vencedor de uma eleição nem sempre é o mais amável e carismático; às vezes é o que consegue direcionar mais ódio contra o seu adversário. Consegue lembrar de alguém? 

Seja como for, o resultado desse pleito televisivo tende a ser algo profundamente danoso para a nossa sociedade, que, bem ou mal, tem na sua diversidade racial harmônica um de seus maiores valores; é este valor que está sob ataque, não esse ou aquele participante. O Big Brother não é sobre ganhar 1,5 milhão; é sobre ganhar você. 


domingo, 7 de fevereiro de 2021

O primeiro beijo gay do BBB foi legítimo ou apenas uma estratégia de jogo?


Não acompanho o BBB, mas pelas postagens que me apareceram no Twitter, o primeiro beijo entre homens da história do programa não foi muito bem aceito e acabou dividindo opiniões entre os lacradores. O problema é que, por ter falado umas idiotices, um dos beijantes estava bastante queimado (cancelado) na casa, e, pelo fato de não ter entrado lá como homossexual assumido, sendo apenas um "macho escroto" que não milita pela causa LGBT, o brother aparentemente não teria 'lugar de beijo' entre os gays e por isso estaria sendo duramente criticado. Mas por que ele faria isso? Supostamente, por ter perdido o apoio dos manos e ficado sem lugar de fala entre os militantes da causa racial.

Resumindo: segundo a turma do lacre, o rapaz estaria agora tentando se passar por bissexual para tentar se proteger sob o manto sagrado do arco-íris, o que é uma heresia. O fato é que o cara parece que não aguentou a pressão de mais um grupo identitário e acabou pedindo para sair da casa.

Seja como for, não foi a primeira vez que um guilhotinador acabou sendo guilhotinado.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

A saúde da alma e os males da sociedade


Não sei se é da percepção de todos, mas tenho notado que é cada vez mais comum que as pessoas não queiram que os outros saibam que elas não estão bem consigo mesmas. Assim, muitos procuram viver uma vida fútil e de aparências, principalmente nas redes sociais, tentando passar a ideia falsa que estão seguras de si e que está tudo bem, 'obrigado'; de forma que se você procurar ajudá-las, correrá o risco de ouvir um sonoro "não é da sua conta" — afinal, ninguém é obrigado a nada, lembra?

Em partes, isso acontece porque a mesma sociedade que promove o Setembro Amarelo, ajuda também a viralizar uma enxurrada de memes que versam sobre não se meter na vida dos outros, como "campanha pela vida: cada um cuida da sua", e muitos deles chegam até a relacionar a suposta intromissão à infelicidade ou carência sexual do intrometido, tipo “gente feliz não enche o saco”, ou ainda "quem transa não inferniza a vida alheia". Frases desse tipo contribuem para transferir para o sexo a busca pela felicidade dando a impressão de que é lá onde ela se encontra, mas ao procurarem no sexo casual, as pessoas podem entrar num ciclo de alegria momentânea e insatisfação permanente que, por fim, as farão buscar essa felicidade nelas mesmas, alimentando o ego e tornando-se cada vez mais narcisistas e egoístas. Não é à toa que tem tanto meme exaltando a solidão, o amor próprio e a plenitude de si mesmo. Nada é por acaso.

Veja, a saúde da alma está ligada à saúde física, "mens sana in corpore sano", mas para tal, precisamos nos fortalecer na oração e na prática do bem, falando dos nossos sentimentos e colocando pra fora os males que nos atormentam. Além disso, precisamos procurar tomar decisões acertadas — confiando em Deus, renunciando o ego e aprendendo a conviver com as consequências de nossas escolhas — para vivermos uma vida verdadeira, uma vida sem máscaras, não de aparências.

Portanto, precisamos entender que, sem os devidos cuidados, adoecemos a alma e acabamos por adoecer o nosso corpo, e por consequência, adoece também a sociedade. As mazelas sociais do nosso tempo são nada mais do que reflexos de almas adoecidas (porém perfeitamente maquiadas).


segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

A horda da ignorância

No mesmo dia em que Donald Trump foi silenciado e banido das principais redes sociais, o nome de Alexandre Garcia figurou entre os assuntos mais comentados do Twitter; motivo: o jornalista atribuíra a Voltaire uma frase que é comumente atribuída ao filósofo, mas que na verdade é de autoria da sua biógrafa.

Corrigido pelo advogado Augusto Botelho, o assunto virou notícia: "Alexandre Garcia mente sobre frase de Voltaire para defender Trump e leva invertida no Twitter". Em decorrência disso, uma horda de pessoas que, apesar de nunca terem lido uma página sequer do escritor francês, após iluminarem as paredes do Google com suas tochas e descoberto que a citação pertence a Evelyn Beatrice Hall, partiu enfurecida para cima do jornalista para xingá-lo e tirar satisfação. "Burro", "velho gagá", "defensor de ditadura", "vai estudar", etc., são apenas alguns dos impropérios.

Ocorre que, apesar da frase não ser de autoria de Voltaire, ela condensa a essência de suas ideias, assim como a célebre frase "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", atribuída a Lavoisier, resume o trabalho deste que é considerado o Pai da Química, sem jamais ter sido dita por ele.

Como podemos ver, a questão aqui não é o que se disse, mas quem disse e quando disse, pois ao trazer para o debate o ideal iluminista de Voltaire — que ilustra bem a incoerência do momento — Alexandre Garcia expôs o ódio e a hipocrisia daqueles que se dizem defensores da liberdade de expressão, mas comemoram a censura imposta pelas big techs ao presidente dos Estados Unidos.




domingo, 8 de novembro de 2020

Estupro culposo

É possível que uma ressaca moral se transforme em denúncia de estupro? As duas coisas podem estar relacionadas; a ressaca moral pode vir como consequência do ato criminoso, mas será que elas não podem ser confundidas? Sair para se divertir e celebrar a liberdade é ótimo, mas como diria Stan Lee, "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades". A combinação de drogas, liberação sexual e cultura do 'foda-se' pode ter efeitos bem desagradáveis para os incautos à procura de diversão; você sai para liberar o stress e o tempo todo é estimulado a extravasar, jogar pro alto, ser feliz a qualquer custo, não se reprimir, e tudo isso em meio a um cenário musical cujas coreografias simulam atos sexuais. Para os hormônios, a mensagem é clara, e o álcool amplifica tudo isso, mas o fato é que quanto mais você age com o seu fígado, mais consequências terá que lidar com a sua cabeça. E lembre-se: o dia seguinte pode ser terrível, mas nem toda experiência desagradável precisa terminar na delegacia; destruir o outro não vai apagar as coisas e melhorar o seu humor. 

PS. A análise superficial de uma situação hipotética, como a aqui exposta, não visa excluir ou diminuir a gravidade de casos reais e inaceitáveis como os que ocorrem com frequência nesse país. Por favor, a ideia aqui não é relativizar ou suavizar as coisas, e tenho que dizer isto porque vivemos tempos delicados onde até mesmo dizer o óbvio pode ser algo perigoso.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

O dilema das redes

Assisti hoje 'O Dilema das Redes (The Social Dilemma). Pra quem já leu os 'Dez Argumentos Para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais', o documentário adiciona pouca coisa. Aliás, o filme é quase todo baseado nas ideias do livro, inclusive com a participação direta do autor, Jaron Lanier. Mas não se engane, o fato desse documentário estar em alta no Netflix em plena campanha eleitoral nos EUA não é nenhuma coincidência. Ele alerta para a forma como as redes sociais são usadas para manipular e mudar o comportamento das pessoas, mas o filme em si é um instrumento de manipulação que, de forma sutil, tenta mudar o pensamento de quem o assiste. Termos como aquecimento global, terra plana, fake news, interferência nas eleições, etc., são recorrentes e quase sempre relacionados àqueles que se deixam levar por informações "apócrifas" obtidas nas redes; a saber, aqueles que não estão dando ouvidos às narrativas "oficiais", por exemplo. Ou seja, passamos a vida inteira numa Matrix sendo manipulados pela grande mídia; desde a forma como falamos, o modo como nos vestimos ou em quem votamos, daí hoje querem nos fazer acreditar que a eleição de Bolsonaro ou o resgate do conservadorismo ocorreram porque estamos sendo manipulados pelas redes sociais. Quer um conselho? Cancele a Netflix.




terça-feira, 7 de julho de 2020

Submeta-se ao Estado; é para o seu próprio bem

O "fique em casa" evoluiu, agora é "use máscara". Você que aderiu ao primeiro mantra, certamente está repetindo o segundo; e não só isso, deve estar achando um absurdo que alguém ponha em dúvida a eficácia da máscara. "Acaso não sabeis que este gesto salva vidas?" E assim como havia radicais que pregavam o uso da força para conter as pessoas dentro de casa, há os extremistas que fuzilam com os olhos qualquer um que ouse expor o nariz ao mesmo ar que eles respiram. Estes corajosos guerreiros do bem, guiados pelas vozes da mídia, estão prontos para sacrificar suas liberdades individuais em nome da ciência e da salvação do planeta; mas diferente dos mártires de outrora, os atuais exigem o sacrifício coletivo de todos, e como é difícil convencer todo mundo, apoiam a edição leis que possam invadir residências e punir rigorosamente os infiéis que se recusam a depositar os seus direitos constitucionais aos pés de César. Como sabeis: "Liberdade é escravidão; ignorância é força".


sábado, 9 de maio de 2020

Reflexões estranhas

Tenho visto cada reflexão estranha nessa pandemia que fico me perguntando se a intenção do autor era olhar as coisas pelo lado positivo ou simplesmente tentar inverter o sentido das coisas. Pra terem uma ideia, há um texto circulando no WhatsApp falando sobre as maravilhas sociais do uso da máscara. Segue um trechinho:

"Quem diria que nossas faces, algum dia, seriam representadas apenas pelos olhos? Quem seria capaz de apostar que chegaríamos ao ponto de ter que decodificar o sorriso (ou o mau humor) das pessoas que encontramos por aí, através dos olhares? 
[...] 
Nunca fomos tão iguais, andando nos supermercados , nas ruas, em qualquer lugar. De repente o feio e o bonito, desapareceram por trás de um paninho mágico.
[...] 
Por muito tempo se ouvirá dizer que um vírus surgiu na Terra e tirou tudo do lugar. Mas eu gosto de pensar que um dia na Terra um simples pedaço de pano colocou o mundo inteiro no mesmo lugar".
Pois é, meus amigos, depois do vírus bendito, o vírus da justiça social, temos agora a máscara da uniformização, o paninho mágico da igualdade entre nós. A dúvida é: será que um dia evoluiremos para esse grau de igualdade? 👇



quinta-feira, 30 de abril de 2020

Vai piorar

Vai piorar? É claro que vai piorar; é uma curva, e ela é ascendente, ou seja, ela sobe. A proposta da quarentena foi dar tempo ao poder pública para tomarem as medidas de enfrentamento (construção de hospitais, ampliação do número de leitos, compra de equipamentos, etc.), mas ninguém disse que o isolamento evitaria o surgimento de novos casos, até porque isolamento total é algo que não existe, uma hora ou outra você vai se expor.


domingo, 26 de abril de 2020

O Poço


Depois de algumas recomendações, resolvi assistir O Poço, um filme de terror, original da Netflix, que tem provocado muito debate na internet acerca da problemática social abordada durante toda a exibição do longa. Aqui, deixo minha humilde opinião e tentarei não dar maiores informações para não estragar a “diversão” daqueles que ainda não o assistiram, também não me pegarei a detalhes técnicos ou inconsistências no roteiro; afinal, trata-se de uma ficção e, como tal, certos pormenores não precisam fazer muito sentido.

Pois bem, o poço é basicamente uma prisão vertical, aparentemente subterrânea, que desce centenas de andares, sendo uma cela por andar, cada uma ocupada por duas pessoas. A dinâmica toda gira em torno da necessidade de alimentação; como a comida desce de cima para baixo, aqueles que ocupam os andares superiores se banqueteiam enquanto os de baixo vão ficando com as sobras, ou seja, quanto mais profundo o nível da cela, menores são as chances de chegar alguma comida até lá. Com isso, não demora muito para percebermos o que acontece quando as pessoas são lançadas em níveis profundos onde a comida raramente chega, ou nunca chega; suicídios, assassinatos, canibalismo e uma série de atrocidades afloram das pessoas desesperadas para sobreviverem ou para porem um fim ao sofrimento. O interessante é que, assim como ninguém escolhe em que nível social irá nascer, as pessoas no poço são colocadas em andares aleatórios onde deverão passar o período de um mês; terminados os 30 dias, há uma nova redistribuição e as pessoas são colocadas mais acima ou mais abaixo, sempre de forma aleatória, até que cumpram todos os meses de permanência no Centro Vertical de Autogestão, o poço.

É claro que se cada um comesse apenas um pouco, as chances de todos seriam maiores, podendo até mesmo a comida ser suficiente para alimentar todos os níveis, ainda que de forma muito precária, mas considerando que ela é distribuída apenas uma vez por dia, sem possibilidade de guardar um pouco para depois, as chances dessa estratégia dar certo são mínimas, ainda mais porque as pessoas não sabem exatamente quantos níveis existem; além disso, depois de passarem fome e desespero em níveis inferiores, elas tendem a ativar seus instintos de sobrevivência e tudo que conseguem pensar é em viver mais um dia; por conta disso, quando conseguem sair da escassez para a fartura, ou mesmo para um nível intermediário, aproveitam para comer o máximo que podem sem se importarem com aqueles que inevitavelmente ficarão sem comida, afinal ninguém se preocupou com eles quando tiveram que enfrentar a fome.

Ou seja, para que ninguém ficasse sem comida no poço, seria necessário que houvesse uma solidariedade espontânea de todos, e cada um pensasse mais nos outros do que em si mesmo, o que é praticamente impossível, pois apesar de alguns afirmarem que o homem é essencialmente bom e torna-se mau por ser produto do meio em que vive (a sociedade), a realidade mostra que a sociedade é cruel porque é constituída de pessoas cruéis em sua essência. Gula, avareza, ira, inveja são intrínseco do ser humano e facilmente identificados no filme.

Enfim, muita gente tem falado sobre uma suposta mensagem passada pela alegoria do poço; e apesar do próprio filme enfatizar isso, que há uma mensagem ali, ela não é clara — até mesmo porque se trata de um terror — de forma que o filme se presta muito mais para chocar as pessoas do que para transmitir algo. Contudo, há sim diversas referências e citações relacionando-o a questões sociais, literárias e religiosas, mas o interessante é que cada um tire suas conclusões. De minha parte, afirmo que o final fica em aberto justamente porque não há nenhuma garantia de que as ações humanas, por mais bem intencionadas que sejam, poderão ser capazes de subverter o sistema, pois este, quando muda, apenas troca uma forma de opressão por outra.

PS: o filme é perturbador e desaconselhado para pessoas sensíveis. Caso decida assisti-lo, evite fazer isso antes de ir dormir.