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domingo, 23 de fevereiro de 2020

O amor é o preceito maior


“Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação.” Romanos 15:1,2.

Dado o contexto em que viviam os irmãos da igreja romana, o apóstolo Paulo, a partir do capítulo 14, demonstra certa preocupação acerca do consenso entre eles; uma igreja na qual povos de diferentes tradições coabitavam sob uma nova fé: os gregos, com sua cultura mais liberal; os judeus que, convertidos, entendiam não estar mais sob o jugo da Lei, e, entre eles, alguns que não haviam se desvencilhado de certos costumes e ainda seguiam as tradições judaicas.

Paulo nos mostra que há situações em que é preciso ensinar as pessoas sem primeiro julgar. O apóstolo apontava as contradições entre os irmãos para alertá-los que, apesar de pensarem diferente sobre questões pontuais, Deus era tanto de um, quanto de outro; do que comia carne e do que comia legumes; do que guardava o sábado e do que não guardava. Com relação às Escrituras, devemos concordar que fomos criados por Deus, que só Cristo salva, que o Verbo se fez carne, que morreu pela remissão dos nossos pecados, que ressuscitou dos mortos, que retornará em glória e julgará todos os homens; esta é a doutrina básica para a construção dos fundamentos teológicos cristãos; tudo o mais é acessório.

Sabemos que, em paralelo às doutrinas bíblicas, algumas igrejas estabelecem regras e doutrinas próprias a fim de instituir um modelo comportamental que as distinguem das outras e do mundo; outras normatizam-se de forma menos ortodoxa a partir de padrões subjetivos aos quais as pessoas aos poucos vão assimilando e voluntariamente se condicionando. O fato é que, ao olhar para a igreja, o mundo tem uma expectativa formada em cima desses padrões. Nesse contexto, suportar os fracos é você, com paciência e sem fazer julgamentos, orientar essas pessoas cuidando para não fazê-las tropeçar. Assim, se sua fé é forte e não se abala com hábitos que lhe são próprios, como usar piercing, vestir roupa curta ou pintar o cabelo de verde, ótimo, mas se isso escandaliza o seu irmão e a ele serve de tropeço, cabe a você, em amor, evitar; para que “aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência” (Rm 14:16).

Como podemos ver, a liberdade individual deve ser ferida quando a lei do amor estiver acima dela, ou seja, a edificação do outro deve ser mais importante do que nossa própria vontade. "Há uma vontade maior que a sua vontade; a vontade de Deus". O amor deve ser o ápice da nossa marca de fé, o nosso padrão de medida, de modo que os nossos preceitos pessoais estejam sempre abaixo do amor — o que passar disso é religiosidade e exigência social. “Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua.” (Rm 14:19). Em outras palavras, se algo em você desagrada o seu irmão, evite; se algo no seu irmão o desagrada, procure ensiná-lo primeiro, com paciência, em amor.

Contudo, é preciso ter em mente que o grau de fraqueza não é determinado pelo tempo que o crente tem na igreja ou pelos versículos que ele tem decorado, mas pelo conteúdo que ele tem assimilado e aplicado à sua vida. A Bíblia é um livro de fé e prática, mas se for apenas lido, trará tão somente conhecimento histórico e conceitos filosóficos, mas digerida e meditada, produzirá vida.

“Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova.” (Rm 14:22).

Extraído do sermão do Pr. Leandro Carvalho, quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020, na Igreja Batista Fundamentalista. Texto base: Romanos 14 e 15.

sábado, 11 de janeiro de 2020

Efésios 4 - A Perfeição da Unidade



Talvez você ignore o fato de que o Senhor nos fez para sermos adoradores, e que o pecado, no entanto, corrompeu a nossa natureza divina nos afastando do Criador. Deus, contudo, sempre quis consertar o homem para torná-lo perfeito. Mas o que é ser perfeito? A perfeita varonilidade é o ápice do processo de regeneração que ocorre quando o Espírito Santo passa a habitar no homem conduzindo-o de volta a Deus e à santificação, um processo de transformação — metamorfose espiritual — que tem o seu início não apenas na Glória, mas já aqui na terra. Trata-se, portanto, da conclusão da obra de restauração que faz do homem uma nova criatura e, por consequência, filho de Deus.

Com relação à igreja, como um corpo, seu crescimento dá-se de maneira homogênea, unida; separada, a igreja local não prospera. Assim sendo, quanto mais as pessoas crescem conjuntamente, mais a igreja cresce forte e saudável, mas se as pessoas não evoluem, acabam por engendrar uma igreja imatura e fragmentada. Dentro desse processo, o papel da igreja é o de promover a unidade. Mas que unidade é essa? Ora, assim como há um só Deus e uma só fé, há também um só Espírito, o qual é sobre todos e está em todos, formando assim, com Cristo, um só corpo. Por isso mesmo é que precisamos nos esforçar na preservação dessa unidade, através do vínculo da paz. 

Além disso, é quando encontramos o nosso lugar no corpo de Cristo, ou seja, quando entendemos o serviço ao qual fomos chamados, que damos início ao processo de aperfeiçoamento. Afinal, quando nos convertemos, somos como recém nascidos, carentes de cuidados, mas não é pelo conhecimento que iremos crescer; ele é importante, mas é por meio da fé que se desenvolve em nosso coração, a fé que nos direciona ao serviço. Deus nos deu esse serviço com vistas ao aperfeiçoamento. Com efeito, se acontece em cada um, acontece em todo o corpo, e contra essa unidade, as forças do inferno não prevalecerão. É por isso que Satanás tenta derrubar a igreja atacando de forma individual, andando em derredor, buscando a quem possa tragar. De sorte que devemos nos manter firmes e fiéis, andando de modo que sejamos dignos da nossa vocação, pois assim como a evolução se dá do particular para o geral, membros problemáticos podem trazer problemas sérios que por fim afetarão toda a igreja.

Convém ainda lembrar que quando iniciamos na igreja, somos como pequenas ilhas, fechados em nós mesmos e isolados em nossos cantinhos, mas quando fomos chamados, fomos convocados para uma exposição, para brilharmos como luz (Mt 5:16). Servir a Deus é se expor, e quando O servimos, edificamos não somente a nós mesmos, mas também aos outros. Na igreja, assim como numa família, devemos cuidar uns dos outros para formarmos uma unidade coesa e resistente. É por isso que precisamos deixar nossa imaturidade lá fora juntamente com nossas birras e vontades para então nos submetemos a uma forma de pensar que é superior e bem diferente daquela que estávamos acostumados no mundo, onde cada um tenta subir às custas dos outros. Lembremos: pessoas que crescem, fazem outras pessoas crescer; crentes que não crescem, atrofiam e podem até levar outros à queda. 

Portanto, não é só pensar em conjunto, é viver em conjunto, então esforcemo-nos para preservar essa unidade. Sirvamos a Deus com alegria, seja qual for o seu ministério; temos um só espírito que nos direciona numa só vocação, a de servir. Ninguém amadurece para uma vocação isolada, particular, mas para uma vocação conjunta, para que a partir da longanimidade e perseverança possamos suportar outras pessoas até que todos cheguemos à perfeição. Somos igreja, não vivemos aqui sozinhos, e como membros do Corpo de Cristo, temos a oportunidade de nos ajudarmos até que Ele venha. Contudo, somos já cidadãos do céu, e é justamente por isso que precisamos nos portar como tais. O processo de transformação já começou, cabe a nós prosperarmos nele. 

Extraído do sermão do pastor Leandro Carvalho, quarta-feira, 8 de janeiro de 2020, na Igreja Batista Fundamentalista. Baseado em Efésios 4.