No primeiro episódio de Round 6, sem dinheiro para comemorar o aniversário da filha em um restaurante, Gi-Hun leva Ga Yeong para uma barraquinha de comida de rua e se desculpa por não poder lhe dar algo mais gostoso. A menina diz que tudo bem, pois naquele dia a mãe e o padrasto a levaram numa churrascaria. "Você comeu carne?", pergunta Gi-Hun com ciúme. Para os brasileiros, acostumados a comer churrasco em datas não necessariamente especiais, o detalhe da cena passa despercebido, isto porque a maioria de nós não tem a menor noção do quão caro é comer carne na Coreia do Sul.
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segunda-feira, 27 de setembro de 2021
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
WW1984: A Mulher da Corda Encantada
Ontem assisti ao filme da Mulher Maravilha (Wonder Woman 1984), que é até bonzinho, tem uma pegada retrô nos efeitos especiais e provoca algumas emoções, mas a verdade é que achei o filme longo demais e com um roteiro meio enfadonho. Aliás, talvez um título mais apropriado para ele fosse A Moça do Laço Mágico ou A Mulher da Corda Encantada, pois é o acessório da heroína que brilha na maioria das cenas, literalmente.
Quanto ao roteiro, é interessante para transmitir uma mensagem, mas nada original; explora a questão dos desejos e de como a sua realização acaba sempre levando algo valioso em troca; como o visionário que perde a saúde em troca de fortuna, a estudante que perde sua doçura em troca de popularidade, o político que perde a liberdade em troca de poder, etc., mas a solução adotada para fazer com que os desejos da humanidade se realizassem todos ao mesmo tempo, e consequentemente seus efeitos colaterais desastrosos, me pareceu forçado demais, mesmo para um filme em que uma mulher que usava uma corda para se balançar feito o Homem Aranha acaba descobrindo que poderia voar. Mas precisamos relevar, afinal, trata-se de um filme de super-herói com limitação etária de 12 anos.
Agora vem a melhor parte: as mensagens subliminares. Lembrando que tudo aqui são divagações minhas de acordo com a percepção que eu tive do filme. Então vamos lá:
1. Esqueça essa coisa de encontrar ou permanecer com o amor da sua vida. Esse sentimento rouba as suas forças e lhe impede de voar; livre-se dele e vá salvar o planeta.
2. O mundo é um lugar incrível, nós é que estragamos tudo com as nossas vontades. Os desejos individuais podem provocar enormes desigualdades e gerar consequências terríveis; substitua-os pelo desejo coletivo de salvar o planeta.
3. Você pode (e deve) abrir mão dos seus desejos. Se todos tivessem o mesmo direito de realizar os seus desejos, não haveria planeta suficiente que pudesse realizá-los; abandone os seus sonhos pelo bem do nosso planeta.
4. Não sabemos o que queremos. Achamos que sim, mas muitas vezes somos levados a desejar algo que não era exatamente o que queríamos. A consequência disso é que passamos a desejar algo maior para compensar a frustração trazida pela realização do desejo anterior; acabe com esse ciclo e ajude a salvar o nosso mundo.
5. Filhos, é melhor não tê-los. Evite ter filhos, eles podem estragar os seus planos quando você estiver prestes a dominar o mundo. A menos que você seja um psicopata, não dá para tocar o terror no mundo sabendo que o seu filho vai estar lá, no meio do caos; evite-os.
Recomendo o filme? No cinema, definitivamente, não. A julgar pela temática, não dou um mês para ele estar disponível nos serviços de streaming, mas para curtir uma pipoca, até que não é mau.
quinta-feira, 16 de julho de 2020
Left Behind - O Apocalipse
domingo, 26 de abril de 2020
O Poço
Depois de algumas recomendações, resolvi assistir O Poço, um filme de terror, original da Netflix, que tem provocado muito debate na internet acerca da problemática social abordada durante toda a exibição do longa. Aqui, deixo minha humilde opinião e tentarei não dar maiores informações para não estragar a “diversão” daqueles que ainda não o assistiram, também não me pegarei a detalhes técnicos ou inconsistências no roteiro; afinal, trata-se de uma ficção e, como tal, certos pormenores não precisam fazer muito sentido.
Pois bem, o poço é basicamente uma prisão vertical, aparentemente subterrânea, que desce centenas de andares, sendo uma cela por andar, cada uma ocupada por duas pessoas. A dinâmica toda gira em torno da necessidade de alimentação; como a comida desce de cima para baixo, aqueles que ocupam os andares superiores se banqueteiam enquanto os de baixo vão ficando com as sobras, ou seja, quanto mais profundo o nível da cela, menores são as chances de chegar alguma comida até lá. Com isso, não demora muito para percebermos o que acontece quando as pessoas são lançadas em níveis profundos onde a comida raramente chega, ou nunca chega; suicídios, assassinatos, canibalismo e uma série de atrocidades afloram das pessoas desesperadas para sobreviverem ou para porem um fim ao sofrimento. O interessante é que, assim como ninguém escolhe em que nível social irá nascer, as pessoas no poço são colocadas em andares aleatórios onde deverão passar o período de um mês; terminados os 30 dias, há uma nova redistribuição e as pessoas são colocadas mais acima ou mais abaixo, sempre de forma aleatória, até que cumpram todos os meses de permanência no Centro Vertical de Autogestão, o poço.
É claro que se cada um comesse apenas um pouco, as chances de todos seriam maiores, podendo até mesmo a comida ser suficiente para alimentar todos os níveis, ainda que de forma muito precária, mas considerando que ela é distribuída apenas uma vez por dia, sem possibilidade de guardar um pouco para depois, as chances dessa estratégia dar certo são mínimas, ainda mais porque as pessoas não sabem exatamente quantos níveis existem; além disso, depois de passarem fome e desespero em níveis inferiores, elas tendem a ativar seus instintos de sobrevivência e tudo que conseguem pensar é em viver mais um dia; por conta disso, quando conseguem sair da escassez para a fartura, ou mesmo para um nível intermediário, aproveitam para comer o máximo que podem sem se importarem com aqueles que inevitavelmente ficarão sem comida, afinal ninguém se preocupou com eles quando tiveram que enfrentar a fome.
Ou seja, para que ninguém ficasse sem comida no poço, seria necessário que houvesse uma solidariedade espontânea de todos, e cada um pensasse mais nos outros do que em si mesmo, o que é praticamente impossível, pois apesar de alguns afirmarem que o homem é essencialmente bom e torna-se mau por ser produto do meio em que vive (a sociedade), a realidade mostra que a sociedade é cruel porque é constituída de pessoas cruéis em sua essência. Gula, avareza, ira, inveja são intrínseco do ser humano e facilmente identificados no filme.
Enfim, muita gente tem falado sobre uma suposta mensagem passada pela alegoria do poço; e apesar do próprio filme enfatizar isso, que há uma mensagem ali, ela não é clara — até mesmo porque se trata de um terror — de forma que o filme se presta muito mais para chocar as pessoas do que para transmitir algo. Contudo, há sim diversas referências e citações relacionando-o a questões sociais, literárias e religiosas, mas o interessante é que cada um tire suas conclusões. De minha parte, afirmo que o final fica em aberto justamente porque não há nenhuma garantia de que as ações humanas, por mais bem intencionadas que sejam, poderão ser capazes de subverter o sistema, pois este, quando muda, apenas troca uma forma de opressão por outra.
PS: o filme é perturbador e desaconselhado para pessoas sensíveis. Caso decida assisti-lo, evite fazer isso antes de ir dormir.
domingo, 29 de dezembro de 2019
Guerra Infinita
O Amazon Prime Video disponibiliza o filme Vingadores Ultimato, mas não o Guerra Infinita. Daí ontem, contando como os 7 dias grátis, assinei o Telecine Play só pra assistir ao Thanos dar uma surra no Hulk, juntar umas pedrinhas coloridas e eliminar metade dos seres do universo (não vi nenhum cachorro sendo desintegrado). O filme traz uma mensagem perturbadora de que haveria bocas demais no mundo para serem alimentadas e por isso seria preciso haver um extermínio em massa para reequilibrar as forças da natureza. Thanos, por sua vez, sacrifica sua própria filha (adotiva), a única pessoa que ele amava, para cumprir o seu propósito, numa espécie de Deus ao contrário. Não recomendo.
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