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sábado, 27 de março de 2021

Polícia da Covid

Tempos de crises são também tempos de oportunidades, então não se admire se em breve as pessoas começarem a sugerir que aqueles que recebem o auxílio emergencial passem a prestar algum tipo de serviço comunitário para dar algum retorno à sociedade. Dentre os serviços propostos, anote aí: "um será criado com o objetivo de fortalecer as forças pela vida no combate ao vírus'', disseram as vozes na minha cabeça.

Assim, baseados nas experiências de municípios que teriam obtido êxito na redução de mortes por Covid-19 ao proibirem a circulação de pessoas e fecharem quase tudo, inclusive estabelecimentos essenciais (de forma temporária) como supermercados e postos de gasolina, governadores e prefeitos serão estimulados a colocar essas medidas em prática e alguns buscarão implementá-las de maneira ainda mais rígida e por mais tempo, mas para tanto, precisarão reforçar o efetivo de suas respectivas forças de segurança; como não poderão contratar novos policiais, deverão aproveitar a massa ociosa que perdeu o emprego após a quebradeira provocada pelo trancamento total imposto por eles mesmos. 

E é assim que deverá surgir a "Patrulha pela Vida", ou “Guarda Sanitária” — mas em pouco tempo as pessoas a chamarão de Polícia da Covid — uma espécie de uma força cidadã de repressão às aglomerações e de combate às condutas suspeitas de disseminação de vírus. O efetivo deverá atuar de forma ostensiva em espaços públicos e como reforço na contenção de pessoas que se recusarem a colaborar com os decretos.

Mas fique tranquilo; se você preferir continuar recebendo sem trabalhar, não terá motivos para preocupação; algo assim não costuma ser obrigatório. Você receberá seu benefício mesmo sem se alistar em nenhum serviço; só passará a receber menos.

Imagem: Twitter: Hoje no Mundo Militar - @hoje_no


quinta-feira, 4 de março de 2021

Não sei o que acontecerá em 2023, mas quero viver para descobrir

Olhando o cenário atual e as perspectivas para o futuro, tenho a impressão de que não chegarei a 2030. Aliás, se você se lembra do Voto Camarão, tomou banho de rio na enchente de 85 ou pulou nas passeatas de Laire Rosado, atrás do Trio Marajós, ao som da Galega do Axé, é quase certo que também não chegará a vislumbrar o admirável mundo novo que promete surgir ao final desta década de terror. Mas não direi que não ligo. Quero pelo menos chegar a 2024, pois não suporto a ideia de morrer sem saber o que danado vai acontecer em 2023. 😅

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

A alta da gasolina e os aplicativos de pagamento


Rapaz, eu tenho uma teoria para esses aumentos sucessivos da gasolina, mas antes de tudo, preparem os chapéus de alumínio. Pois bem, eu acho que essa alta dos preços pode estar ligada a uma estratégia de marketing para promover os meios de pagamento digital, como Picpay, Ame e MercadoPago, por exemplo. Por quê? Como é de conhecimento de todos, está em curso, e não só no Brasil, um processo de estímulo aos pagamentos remotos, seja por cartão de aproximação, Pix, leitura de QR Code, ou coisa parecida; o fato é que, por questões de segurança (segundo dizem), em breve o dinheiro físico deixará de existir. Então, o que vimos com essa escalada de preços dos combustíveis? Em um curto intervalo de tempo, uma enxurrada de gente passou a optar pelos pagamentos via aplicativo como forma obter algum tipo de desconto no abastecimento — o Ame, por exemplo, dá 10% de cashback — e esta foi uma alternativa que muitos consumidores encontraram para tentar para driblar os aumentos e, em muitos lugares, voltar a pagar menos de 5 reais pelo litro da gasolina. 

Então, ao meu ver — e aqui deixo claro que isso é uma especulação minha, pois ainda não li nada a esse respeito — a equipe econômica do governo teria percebido essa estratégia e decidiu intervir na questão substituindo o presidente da Petrobrás por um general do Exército. Por quê? Ora, inflacionar o preço da gasolina desta forma é algo que, apesar de garantir lucro para os acionistas e dinheiro para os cofres públicos, acaba penalizando os menos favorecidos, aqueles que não têm, não podem ou não sabem. Ou seja, é uma forma de transferir recursos dos pequenos para os grandes. Mais uma. E não é à toa que a mudança na presidência da estatal está provocando toda essa reação do mercado financeiro e dos setores progressistas; justamente aqueles que estavam fazendo dinheiro na época em que, enquanto o povão consumia como se não houvesse amanhã e ignoravam os juros da taxa Selic, eles investiam no Tesouro Direto e viam suas fortunas crescerem graças às maravilhas dos juros altos da renda fixa. Não lembra? Teve até mulher de ex-presidente que virou milionária “só vendendo Avon”; mas isso já é outro assunto.

Por outro lado, você certamente pode dizer que a queda nas ações da Petrobrás e sua consequente perda de valor de mercado devem-se ao fato dos acionistas estarem agora vendendo suas ações com receio de que a interferência do governo os faça perder capital ou fazer seu dinheiro render menos. É justo pensar assim, e provavelmente seja a explicação mais lógica, mas a pergunta que me incomoda é: por que a esquerda está se opondo? As críticas, por parte dos liberais, são óbvias, mas se uma possível intervenção nos preços dos combustíveis representa uma medida que beneficiaria os pequenos em detrimento do chamado grande capital, então por que a grita dos inteligentinhos? Se você tem uma resposta, comente aí.

Mas enfim, se o governo pode intervir na política de preços da empresa e segurá-los artificialmente para beneficiar determinados setores, como o de transporte de cargas, isso não significaria que, pelo menos em tese, a sua não interferência possibilitaria que uma alta artificial dos preços poderia ser criada para beneficiar determinados setores, como o das carteiras de pagamento digital? Como eu disse, é tudo viagem de um passador de pano.


sábado, 20 de fevereiro de 2021

O PEÃO DE ACADEMIA


Rapaz, tudo nessa vida é uma questão de moda. Na academia, até um dia desses, a onda era fazer agachamento, supino, leg press... chega era difícil encontrar esses aparelhos disponíveis. Agora, com a febre do crossfit e dos exercícios funcionais, o povo está cada vez mais abandonando as máquinas tradicionais e optando por movimentos que simulam atividades reais do dia a dia, como a labuta diária do trabalhador, por exemplo.

Daí o pessoal fica andando pra lá e pra cá carregando anilhas de 20 kg como fossem baldes de água; colocam peso em apenas um dos lados da barra e ficam movimentando como se estivesse cavando uma cova e jogando a terra pra fora do buraco com uma pá, ou ficam andando e balançando a barra de um lado para o outro como se estivessem cortando capim com uma foice; arremessam uma bola de couro super densa contra uma parede como se estivessem jogando melancias para alguém em cima de um caminhão; sobem e descem degraus carregando fardos de chumbo nos ombros como se fossem sacos de cimento; pisam num step e erguem rapidamente uma anilha acima da cabeça como se fosse uma lata de massa sendo passada para alguém sobre um andaime, e por aí vai, tem até equipamento para simular carrinho de mão — além dos exercícios de preparação trazidos do futebol, boxe, treinamento militar, etc., mas isso já é outro assunto.

Todavia, isso não é para qualquer um; geralmente esse tipo de exercício é monitorado de perto por um personal trainer que, além de prescrever a rotina de serviços, também fica no pé do operário dizendo “bora, vai, força, mais um, isso…” e vez por outra faz umas fotos do peão para ele se animar com o progresso da obra; e tem que incentivar mesmo, afinal o cara está pagando para trabalhar, e a lida é pesada.

Tá, mas por que você acha que isso virou modinha? Ao meu ver, porque esses movimentos estão deixando de ser comuns. Atualmente, não é difícil perceber a relação entre o exercício e a labuta, mas em breve, quando as máquinas dominarem tudo e as pessoas não mais executarem essas tarefas penosas, ninguém vai fazer esse tipo de associação.

Hoje, qualquer um pode pegar uma enxada e ganhar uns trocados capinando um lote, mas no futuro, talvez tenha que pagar para executar essa tarefa, pois o exercício vai estar patenteado, e não é à toa que já estão patenteando.



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

WW1984: A Mulher da Corda Encantada


Ontem assisti ao filme da Mulher Maravilha (Wonder Woman 1984), que é até bonzinho, tem uma pegada retrô nos efeitos especiais e provoca algumas emoções, mas a verdade é que achei o filme longo demais e com um roteiro meio enfadonho. Aliás, talvez um título mais apropriado para ele fosse A Moça do Laço Mágico ou A Mulher da Corda Encantada, pois é o acessório da heroína que brilha na maioria das cenas, literalmente.

Quanto ao roteiro, é interessante para transmitir uma mensagem, mas nada original; explora a questão dos desejos e de como a sua realização acaba sempre levando algo valioso em troca; como o visionário que perde a saúde em troca de fortuna, a estudante que perde sua doçura em troca de popularidade, o político que perde a liberdade em troca de poder, etc., mas a solução adotada para fazer com que os desejos da humanidade se realizassem todos ao mesmo tempo, e consequentemente seus efeitos colaterais desastrosos, me pareceu forçado demais, mesmo para um filme em que uma mulher que usava uma corda para se balançar feito o Homem Aranha acaba descobrindo que poderia voar. Mas precisamos relevar, afinal, trata-se de um filme de super-herói com limitação etária de 12 anos. 

Agora vem a melhor parte: as mensagens subliminares. Lembrando que tudo aqui são divagações minhas de acordo com a percepção que eu tive do filme. Então vamos lá:

1. Esqueça essa coisa de encontrar ou permanecer com o amor da sua vida. Esse sentimento rouba as suas forças e lhe impede de voar; livre-se dele e vá salvar o planeta. 

2. O mundo é um lugar incrível, nós é que estragamos tudo com as nossas vontades. Os desejos individuais podem provocar enormes desigualdades e gerar consequências terríveis; substitua-os pelo desejo coletivo de salvar o planeta. 

3. Você pode (e deve) abrir mão dos seus desejos. Se todos tivessem o mesmo direito de realizar os seus desejos, não haveria planeta suficiente que pudesse realizá-los; abandone os seus sonhos pelo bem do nosso planeta. 

4. Não sabemos o que queremos. Achamos que sim, mas muitas vezes somos levados a desejar algo que não era exatamente o que queríamos. A consequência disso é que passamos a desejar algo maior para compensar a frustração trazida pela realização do desejo anterior; acabe com esse ciclo e ajude a salvar o nosso mundo.

5. Filhos, é melhor não tê-los. Evite ter filhos, eles podem estragar os seus planos quando você estiver prestes a dominar o mundo. A menos que você seja um psicopata, não dá para tocar o terror no mundo sabendo que o seu filho vai estar lá, no meio do caos; evite-os.

Recomendo o filme? No cinema, definitivamente, não. A julgar pela temática, não dou um mês para ele estar disponível nos serviços de streaming, mas para curtir uma pipoca, até que não é mau. 


terça-feira, 30 de junho de 2020

Admirável mundo novo

Em nome da igualdade, instituíram uma renda mínima universal; em nome da segurança, assistimos ao fim do dinheiro físico; em nome da equidade, passamos a receber valores diferentes de acordo com o que já temos — alguns enfrentaram longos períodos sem nada receber até que se igualassem aos demais —; em nome da saúde da humanidade, tivemos que ser vacinados; em nome da preservação do ambiente, restringiram a nossa circulação; e para controlar tudo isso, aceitamos receber os microchips que monitoram a nossa saúde. Ontem entraram os meus créditos, o suficiente para comprar uma bandeja de ovos. Sabia que dá para sobreviver com um ovo por dia?


terça-feira, 12 de maio de 2020

Seremos facilmente deletados

Será muito fácil deletar gerações inteiras, tal como fizeram com as milhões de vítimas anônimas do comunismo ao longo da história. Pois onde estão os nossos textos? Em blogs gratuitos e perfis de redes sociais. Onde estão as nossas fotos? Em álbuns online, na nuvem e nas redes sociais. Onde estão os nossos vídeos? Em plataformas gratuitas como o Youtube, Facebook, etc. Ou seja, o registro de nossa existência física está cada vez mais sujeito à ação de uma tecla ESC. Assim, quando descermos ao fundo do poço, enterrados em covas coletivas, será fácil apagar toda a suposta má influência dessa geração conservadora, cheia de crenças e maus hábitos, em benefício do novo homem que surgirá a partir da renovação da juventude e das novas gerações que ocuparão o nosso lugar. No passado, queimaram livros; no futuro, limparão os registros dos discos de memória.



segunda-feira, 30 de março de 2020

É para o seu bem

Como as maiores perversidades costumam se disfarçar nas melhores intenções, primeiro eles editam decretos tirânicos fechando parques, templos, comércios, etc, e te obrigando a ficar em casa, afinal, é para sua própria segurança: "O Bicho Papão está lá fora." Depois eles rastreiam os celulares do rebanho para monitorar a movimentação do gado e saber se VOCÊ está cumprindo as ordens. Mas calma, "é para orientar a população enviando carros de som", eles dizem. Mas como o brasileiro só aprende quando mexem no seu bolso, por que gastar com falatórios quando é possível arrecadar com isso? "Tá, mas daí é só deixar o celular em casa". Claro, e a ideia de implantar biochips nas pessoas é apenas para monitorar a sua saúde e combater o Coronga. Tudo com a melhor das intenções.




quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A importância do debate

Como é importante o debate e a troca de ideias. Alguém fala algo de acordo com sua visão limitada de mundo, é refutado por alguém que tem outra visão e conhecimento sobre o assunto, tem-se então um debate e ao final há perdedores e vencedores, os quais poderão ser refutados por outras visões. Agora há pouco, tive um debate comigo mesmo, de frente para o espelho. No final, o cara do espelho ganhou a discussão — apesar de eu achar que não — mas tudo bem; tenho direito de não aceitar bem a derrota, mesmo admirando os que perdem com nobreza.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O primeiro grande reset

sábado, 17 de dezembro de 2016

O bolo de aniversário

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Um Deus para chamar de seu



A forma como eu acredito o que seja a vontade de Deus ou como Ele pensa é, na verdade, um reflexo de minha própria vontade e de como eu mesmo penso.
Assim, pra justificar minha homofobia, imagino "Deus é contra os gays", pra valer meu machismo, digo "a Bíblia diz que a mulher deve ser submissa",  pra esconder o meu racismo, acredito que existe um "povo eleito" assim como na existência de um "povo amaldiçoado" por Deus no passado.
Afinal, compreendo os desejos do Senhor e gosto de seguir aquilo que diz a Bíblia -  principalmente as partes que batem com o que EU penso.
Pois é, para ser perdoado, é preciso pensar como Deus pensa, é preciso concordar com a vontade Dele, afinal, sem isso, não seria arrependimento,  pois como posso acreditar convictamente em algo que é contrário ao pensamento de Deus e ainda almejar a salvação da minha na alma? Afinal, Deus não erra.
Então, se eu preciso pensar como Deus e se, de fato, acredito que penso como Ele, como saber se os tais pensamento Dele não são, na verdade, meus?

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Ecossexuais: Sexo com árvores? O que deu errado com a humanidade?

Hoje, as redes sociais foram invadidas com um termo até então pouco comum na internet; entre tantos prefixos que são usados para descrever as preferências sexuais, o termo surgido no momento foi ecossexual.


Daí você pensa "Afinal, o que há de errado com o ser humano? O que deu errado com a humanidade?". Antes que você atribua a notícia ao diabo ou encare como um sinal do fim dos tempos, vamos pensar um pouco. Acompanhe-me nessa divagação:

Há séculos, milênios, o homem vem tentando alterar o ambiente em que vive a fim de moldá-lo às suas necessidades ou torná-lo mais acessível às gerações seguintes. O desejo de tornar-se um ser autossustentável, autótrofo, assim como as plantas, que sintetizam seu próprio alimento por meio da fotossíntese, deve ser algo tão antigo quanto a primeira escassez de comida pelo qual tiveram que enfrentar os primeiros humanos.

Isso explica o porquê desse fetiche de copular com a terra; é uma espécie de tentativa de "engravidar" a natureza para que esta produza novos e melhores seres híbridos, humanos ou não.

Então é isso; essa coisa de transar com árvore, afofar a grama, se lambuzar na cachoeira, etc, pode ser explicado como um impulso do subconsciente humano que está sempre em busca de maneiras para interferir no ambiente.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Muito além da cachaça - como o limão contribuiu com a formação da cultura culinária nordestina

As pessoas hoje ignoram e subestimam o limoeiro, mas ele já foi extremamente comum nos quintais dos lares nordestinos e já deu nome a várias localidades.

Mar, por que? Que importância poderia ter o pé de limão para dar nome a uma cidade?

Ora, se pararmos para pensar nos hábitos culinários da nossa região, poderíamos nos perguntar: o que seria da cultura nordestina sem o limoeiro? Acaso haveria buchada sem se não houvesse o limão?

Como se sabe, o limão é largamente utilizado no preparo de quase todos os pratos da nossa culinária regional. Graças ao limoeiro, toda uma cultura se formou.

Sim, pois graças ao limão e à falta de frescura do nordestino, que não hesitava em comer vísceras de bois e caprinos que abatia, aproveitando ao máximo aquilo que poderia obter como alimento para matar a fome, foi que essa região hostil foi desbravada.

Talvez, assim como os nordestinos, nossos antepassados na África um dia puderam contar com a graciosa ajuda do limão para poderem sobreviver.

Obrigado, limoeiros, vocês que, graças às incríveis propriedades dos limões, um dia talvez tenham evitado a extinção da espécie humana.